Mostrando postagens com marcador Bolas e bolinhas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Bolas e bolinhas. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Eterno Muriquinho


“O mundo é mágico. As pessoas não morrem, ficam encantadas”. (Guimarães Rosa)
Recebi esta frase de uma amiga, depois da morte de meu avô, o nosso eterno Muriquinho!
Leio muito textos sobre a importância da infância... do brincar... da fase que carregamos até o fim das nossas vidas. Mais do que ler, quero descrever aqui uma experiência VIVIDA, aquela que transcendeu os relatos escritos, aquela que o CORPO ensinou e que acompanhou as pessoas que mesmo a distância, cruzaram com o encantamento do Sr. Carlos, carinhosamente chamado pelos netos de “velho” e que sempre rebatia com amor “velho é a nona”!

A convivência com os avós faz a diferença na formação do SER humano! Como é fácil lembrar os momentos na praia, as besteiras que só eles nos permitiam comer, a venda do Zé com conta “livre” para gastar em doces, os jogos do Palmeiras, o sotaque italiano chamando o neto “Rafaer” e principalmente as BOLAS que tanto acompanharam a minha vida.
Exibi o meu avô em muitos lugares... Logo que comecei trabalhar com crianças em escolas, ele participou de eventos como “Dia dos avós”, fez parte de muitas conquistas psicomotoras de pacientes na clínica e toda amiga que engravidava, ganhava uma bolinha carregada de amor... As bisnetas então... uma bola de cada cor...
Vale dizer que até bola do avesso eu fiz esse velho construir!
Muitas instituições receberam as bolas do Sr. Carlos, elas já foram prendas em muitas festas e bingos da Creche de sua querida irmã. E já foi presente para muitos adultos dentro e fora do Brasil...
Como descrever a importância dos avós na vida das crianças?
Simples, se você consegue lembrar-se dos momentos mais lindos da sua infância, ao lado de avós de sangue ou “emprestados”, você teve infância!

Termino este post com uma lição que aprendi na minha formação em psicomotricidade. Segundo Eric Ericson, nascemos com uma cestinha vazia, depositamos nela, tudo o que recebemos das pessoas de nossa convivência. No início da fase adulta, escolhemos o que retirar da cestinha e assim formamos a nossa PERSONALIDADE.
Que o mundo possa proliferar os avós e que eles contribuam para a formação das nossas crianças!



Dia dos avós - Colégio Salesiano Santa Teresinha
Dia dos avós - Colégio Salesiano Santa Teresinha

quarta-feira, 19 de março de 2014

Bolas orgulhosamente artesanais

Acho que um dos maiores orgulhos que os muriquinhos têm é de conviver com gente que já era muriquinho bem antes da gente nascer e de ter convivido com eles até quando a gente nem sabia que era muriquinho...
Não vou escrever muito, porque a Camila já arranjou um jeito bem melhor de expressar o nosso orgulho:

quinta-feira, 6 de março de 2014

Tesouro de criança

Esse ano ninguém segura a família Sousa. Já não bastasse a Rosana finalmente ter começado a escrever para o blog, o marido e pai da família Sousa, João, também entrou na brincadeira com um texto encantador. Agora fiquei com uma dúvida: será que os filhos Sousa também escrevem bem? Se for sobre brincadeiras e muricagens tenho certeza que sim!!!!!



"Tesouro de criança
Minha função na empresa em que trabalho é acompanhar o controle de qualidade de diversos tipos de equipamentos nos fabricantes. Em uma das visitas, ao colocar o carro no estacionamento de determinada empresa, reparei que junto ao piso de brita existiam várias bolinhas de gude espalhadas pelo chão. Um verdadeiro tesouro... Na minha infância, quando se conseguia meia dúzia de bolinhas era uma verdadeira conquista! Eu fiquei imaginando se o ocorrido fosse há alguns anos atrás, seria um achado sem igual!

Segui para as dependências da empresa a fim de desenvolver meu trabalho, mas aquelas bolinhas espalhadas estavam instigando minha curiosidade. Perguntei para alguns funcionários qual era a finalidade daquele “brinquedo” espalhado no estacionamento.  De onde vieram? A resposta que eu tive foi: “QUE BOLINHAS?”.
Da forma como elas estavam, socadas à brita, dava para se perceber que já estavam por lá há algum tempo e eu não compreendia como ninguém reparava nesse verdadeiro tesouro, aflorando sob os pés de todos.

















Terminei meu expediente e antes de entrar no carro peguei algumas bolinhas. No outro dia voltei e continuei a perguntar a mais pessoas que guardavam seus carros no mesmo estacionamento e que também não haviam reparado esse fato. Discutimos muito sobre o verdadeiro valor de tal brinquedo em nossas infâncias e qual deveria ter sido sua utilização na empresa. Talvez para limpeza de algum sistema?  Por que jogar fora como se fosse lixo, sem reaproveitar ou usar como um brinquedo?
















Terminei meu segundo e último dia de trabalho na empresa e antes de sair peguei mais algumas bolinhas sem exagerar, pois espero que outros também possam se banquetear com esse brinquedo que encheu de lembranças e de momentos alegres muitos corações de várias gerações. Quando olhei para o chão novamente, percebi que apesar daquele tesouro estar brotando na terra, para muitas pessoas ele estava enterrado no fundo de suas lembranças!"
JOÃO LUIS VIEIRA DE SOUSA



quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Sacolinha, bexiga, bolinha


Já que estamos retomando as postagens aqui do blog (estamos num ritmo bom de pelo menos uma postagem por semana...), hoje vou colocar um passo a passo: bolinhas de sacolinha plástica (aquela tão polêmica, que vai e volta...) e bexigas (que podem ser a sobra de uma festinha que já passou).
Essas bolinhas servem para muitas brincadeiras: boliche, malabarismo, tomba lata, garrafobol, boca do palhaço, entre muitas outras.
Como as fotos são auto explicativas, elas seguem sem texto:







quarta-feira, 2 de março de 2011

Aspas


Aspas

Nesta cidade,
As crianças entre aspas,
Entre as paredes ásperas.
A criança, a bola e a parede.

A criança pergunta
E a parede responde,
A criança onde
E a parede unta.

A bola?
A bola aspeia.

do livro Galeio, de Francisco Marques (o Chico dos Bonecos)

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Bolinha de gude

Bolinha de gude, bola de gude, burquinha, berlinde, búlica, bolita, baleba, bilosca, biloca, bila, birosca, bugalho, búraca, búrica, bute, cabiçulinha, clica, firo, guelas, pirosca, ximbra, boleba, bolega, esses são alguns dos nomes que achei para esse brinquedo. Talvez seja o que mais nomes diferentes tem...
E quando você vai pesquisar os jeitos de jogar... um infinito de possibilidades:
http://www.jogos.antigos.nom.br/bolinhadegude.asp
http://www.terrabrasileira.net/folclore/manifesto/jogos/j-gude.html
http://www.fernandodannemann.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=875756
Até na pintura de Brueghel, tem crianças brincando com bolinha de gude...

terça-feira, 21 de abril de 2009

Influências (texto de Camila Bruno)


"O mais importante e bonito do mundo é
isto: que as pessoas não são sempre iguais,
não foram terminadas, mas que elas estão
sempre mudando, afinam e desafinam.
Verdade maior é o que a vida me ensinou”.
(Guimarães Rosa)
Ser MURIQUINHO: hereditariedade ou causa ambiental?
Diante do depoimento da Pri, a respeito do seu pai, que foi um multiplicador do Brincar, me sinto à vontade para contar para vocês a história de um representante do grupo dos Muriquinhos mais experientes, aqueles que nos aproximam da sabedoria, da autenticidade, da riqueza ao construir um brinquedo.
Meu avô, Sr. Carlos, com 85 anos, que há 60 anos constrói bolas. No começo de sua história ele costurava bolas em uma fábrica com couro legítimo, era um funcionário do brincar. Quando se aposentou, a brincadeira permaneceu na sua vida, mas com um propósito maior: ver o sorriso e escutar as palavras de encantamento, ao entregar a bola para alguma pessoa.Hoje a bola é construída com sobras de material sintético, pois não se utiliza mais o couro, e isso o aproxima da filosofia do grupo, construir brinquedos com materiais reutilizados. Ele corta os gomos, pinta-os, estuda o melhor posicionamento e depois costura um por um, com a câmara dentro. Por fim, enche a bola com um compressor. Todo este ritual, dura aproximadamente dois dias inteiros. Ele acorda e dorme, construindo bolas... Todos nossos amigos conhecem as bolas do Sr. Carlos, que ele presenteia com tanto carinho. E quando ele faz para determinada criança, quer saber se ela gostou, se brincou, se ficou feliz... É isto que alimenta a sua alma, e muitas vezes falamos para ele descansar, e ele responde que construir bolas é o que ele mais gosta de fazer, por isso não cansa!
Agora, fica para cada um de vocês... a lembrança dos Muriquinhos que nos tornaram amantes do brincar por suas influências, por suas histórias, por suas causas ora hereditárias, ora ambientais!
“Nos olhos dos jovens arde a chama, nos olhos dos velhos brilha a luz." (Albert Camus)
Texto: Camila Bruno