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segunda-feira, 16 de março de 2015

Clima de Brincadeira

É uma série de encontros/oficinas desenvolvidos pelo Grupo Muriquinhos especialmente para educadores e adultos brincantes.
Selecionamos da nossa bagagem algumas coleções de brinquedos e brincadeiras de muita estima. Juntamos a experiência de resgatar materiais que o grupo tem e a possibilidade de enxergar o brincar como uma bela história. Conversamos sobre tudo e organizamos cursos para professores e outras pessoas interessadas.
O adulto, em geral, acostumou-se com a rotina acelerada do mundo contemporâneo, sobrecarregando sua agenda com tarefas e trabalhos. O brincar foi aos poucos sendo empurrado para a área restrita da infância.
Não tendo tempo para brincar, o adulto distanciou-se dessa linguagem e alguns de seus valores acabaram esquecidos. Passou a não conseguir falar com, ou ouvir a criança, pois não entende sua linguagem.
É tempo de aclimar-se de novo. De entrar no clima de brincadeira. De se entregar ao brincar. Só assim a comunicação poderá fluir novamente!
Conheça alguns dos nossos temas/encontros:

- Jogo de corpo
- Por um fio
- Brinquedos que giram
- Brinquedos sonoros
- Brinquedos que voam
- Brinquedos molhados
- Brinquedos para a coordenação motora fina

E muito mais...
Entre em contato conosco e encomende o seu encontro brincante!

muriquinhos@gmail.com


Casa Lila


Projeto Casulo





terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Atlás de Muriquinhos

Calma, calma... não se assustem com o acento no título. Não foi porque fiquei tanto tempo sem postar nada por aqui que esqueci como se escreve essa palavra. Daqui a pouco vocês vão entender...
O caso é que nós vivemos de olhos, ouvidos e coração bem abertos para descobrir novos muriquinhos. E já encontramos com vários em nossas andanças. Gente que conhece verdadeiros tesouros do universo das brincadeiras. Gente que guarda cada detalhe do sabor de sua infância. Gente que fica com o olhar reluzente quanto o assunto é brincadeira. Gente que brinca.
Acontece que descobrimos uma muriquinha que é tudo isso e ainda gosta de brincar com as palavras. Para vocês entenderem, conseguimos a permissão dela para publicar um de seus textos:
"Na infância, da parte vivida na escola, tenho duas lembranças que retornam com saturno e foram vividas por mim, como recentes clarividências do passado, só que um pouco diferentes.

Uma: na biblioteca da sala, meu "livro" preferido era o Atlas. Sei lá... os contornos dos mapas pareciam tudo... menos a representação de territórios e afins. Nele estavam as fotografias-desenhos que tinham no teto de casa, desenhados pelas infiltrações das chuvas (principalmente das de janeiro) e pelos mofos.

E tem mais, atlas era a palavra que eu e o Cebolinha falávamos corretamente.
Quase toda semana era este o "livro" que eu emprestava do acervo da turma para levar pra casa. Achei a minha carteirinha esses dias e contei 37 empréstimos em 1993.

Duas: não aprendi a rodar pião por que me disseram que era brinquedo e brincadeira de menino.

E o mundo gira...e gira e gira...com e sem velocidade... e já com 30 anos, ainda na escola, percebo infâncias e observo a minha. Do outro lado. Da professora. Que desconfia ter uma orelha invisível, na parte de trás da cabeça.Num canto da sala, um menino que sempre pega o mesmo "livro" e que também pronuncia a palavra atlas corretamente quando quer dizer atrás, ouço assim:

- "Nuoossa mano! O mundo NÃO é ledondo.O mundo é um pião, só que sem a fieila!"

Descubro outro admirador de Atlas que se aproxima do colega e contesta:
- "Claro que tem fieira, aqui ó, é a linha do equador!".

Daí, instantes depois, na hora do recreio, brincadeira com pião, orelha invisível ativada, ouço uma assim:
- " Pála mano! Só a G. consegue soltá a fieila e rodá o pião!".

O mesmo colega, admirador de Atlas (e agora de piões), exclaaaama:
- "Nuoossa, mano! A G. tá com o mundo na mão!!!!".

Nunca gostei muito de geografia, só de Atlas e de ir atrás do que desperta o desejo desses pequenos. E tenho observado no território da(s) infância(s) - ainda que clandestinamente - cartografias de aprendizagens, afetos e movimento das placas tectônicas que quando se chocam ao invés de terremotos, causam deslocamentos.

E sim! É muito bonito observar uma menina com o mundo nas mãos! 
Tô quase aprendendo a rodar o pião também!!!"

Espero que este seja apenas o primeiro texto da Aline Gonçalves, publicado aqui no blog... afinal, segundo a Camila Bruno ela já está contlatada como colaboradora oficial...




sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Purugunta onde vai

"Muriquinho piquininho,
muriquinho piquininho, oi parente,
de quissamba na cacunda.
Purugunta onde vai,
Purugunta onde vai, oi parente.
Pru quilombo do Dumbá.
Ê chora, chora, mgongo, oi deverá.
Chora, mgongo, chora.
Ê chora, chora, mgongo, oi cambada.
Chora, mgongo, chora..."

"O nome do grupo, Muriquinhos, foi baseado na letra de uma cantiga popular que acompanha manifestações culturais como o jongo e a capoeira. É um canto dos escravos que conta a história de um menino pequenino que foge para um quilombo, o Quilombo de Dumbá. Foge com uma trouxinha nas costas e os outros meninos choram por não poderem ir também.
Muriquinho é um jeito de falar molequinho bem pequeno. Uma palavra do linguajar popular, que quer dizer criança e que no final das contas é o que todo mundo vira quando constrói brinquedos.
Ser um muriquinho é ter esse espírito que brinca e que brincando é livre."

Eu já escrevi isso aqui... logo quando começamos o blog... mas é bom lembrar qual é a energia que nos movimenta...
Além disso, lá ficou faltando o som, com os tambores que dão o ritmo para as batidas do coração. Enquanto não temos uma gravação com os músicos do grupo, ficamos com esse vídeo, sugerido pela Rosana, do Naná Vasconcelos e do Projeto Guri:

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Tampinhas de montar


Será que minha loucura por tampinhas vai aumentar?
Vocês já sabem que muriquinho que é muriquinho não consegue passar por uma tampinha no chão e deixá-la lá abandonada. Parece que as tampinhas fazem cara de coitadinhas e pedem para serem resgatadas. 
Depois da operação resgate, que inclui uma caprichada lavagem, a gente costuma chamar as tampinhas de pérolas...
E isso tudo porque ainda estou falando das tampinhas comuns. Imagine como nossa febre por tampinhas vai ficar quando começarem a aparecer no mercado as "Clever Caps"...
E o que é que são essas tais "Clever Caps"? Eu explico, mas é lógico que minha explicação vem com uma historinha à tira colo...
Voltando alguns anos no passado, para quem não sabe, fiz faculdade de farmácia, antes de fazer arte. Se você acha que uma coisa não tem nada a ver com a outra, e tiver paciência de ler tudo até o fim, vai ver como a criatividade pode dar as caras nos mais diferentes lugares.
Mas a história não é sobre mim e sim sobre um dos meus veteranos, o Jabá, ou melhor o Henry Suzuki. Ele era o mais animado de todos os veteranos. Aquele que acolhia com carinho o bando de "bixos" perdidos. 
Os anos passaram, mas ele continuou com seu espírito brincante. Tanto é verdade que, junto com Cláudio Patrick Vollers, inventou as "Clever Caps".
Ops! Falei, falei e ainda não expliquei o que são as "Clever Caps".

Se fosse dar um apelido em português, chamaria de tampinhas de montar. Elas se encaixam umas às outras e também em peças de montar que existem no mercado de brinquedos. Ou seja, elas já são um brinquedo sem ter que passar por nenhum processo. 
Bom, eles, os inventores, dizem que elas não servem só para brincar. Dá para montar infinitos objetos utilitários e decorativos. Mas, como vocês já devem imaginar, eu quero mesmo é brincar com as tais tampinhas. 
Não vejo a hora de começar a encontrá-las nas garrafas por ai. Fico imaginando de que cores elas serão. Parece até que vi algumas transparentes nas imagens de divulgação...
O lançamento está prometido para este ano ainda e acho que elas vão aparecer primeiro em garrafas de água. 
Quem encontrar uma e não quiser, pode doar para o Muriquinhos!!!!

Ah! E se por um acaso do destino você for um empresário do ramo das bebidas e de outros produtos que precisem de tampinhas e estiver do nada olhando este humilde blog desse grupo de pessoas que gosta de brincar... que tal adotar as "Clever Caps" em seus produtos? Os muriquinhos e o ambiente agradecem.

O vídeo das "Clever Caps" também é bem lúdico:



E o site deles é: http://www.cleverpack.com.br

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Texto apropriado, reflexão compartilhada

Bom, em geral, gosto de escrever os textos aqui do blog. E nós do grupo estamos devendo atualizações há um bom tempo... o que nos daria a obrigação de preparar uma postagem bem autoral. Mas este texto que coloco a seguir vale muito a pena ser compartilhado. Ele não fala do brincar, mas diz muito sobre o que nos leva a ser muriquinhos...
O link do texto original é http://ccemx.org/archivovivo/archives/artwork/redelabs/apropriacao-critica-industrializacao-e-distanciamento


Apropriação crítica, industrialização e distanciamento.
Felipe Fonseca 2011 - Centro Cultural da Espanha - SP
"As últimas centenas de anos presenciaram profundas mudanças na maneira como produzimos coisas. Até meados do século XIX, os bens eram manufaturados por artesãos. Roupas, móveis, utensílios domésticos, objetos decorativos, medicamentos, armas, ferramentas, instrumentos científicos – praticamente tudo era feito à mão, e quase sempre vendido localmente. Sucessivas inovações na fabricação de objetos, transformações nas formas como as sociedades se organizavam, a criação de novos meios de transporte e o acesso a imensas fontes de matérias-primas e outros recursos naturais nas colônias alavancaram a chamada revolução industrial, a partir da Europa e em direção ao resto do mundo.
Através da mecanização e da produção em série, a produtividade aumentou exponencialmente. Bens que anteriormente só estavam disponíveis às elites puderam ser oferecidos a todos, passando a ser considerados necessidades básicas. A qualidade de vida de uma considerável parcela da população aumentou, em um ritmo sem precedentes.
Isso tudo potencializou outras transformações. Ganhou espaço crescente a democracia representativa (“o pior sistema político, com exceção de todos os outros que foram tentados”, segundo Churchill). Formaram-se as cidades contemporâneas, ambiente propício para a atividade industrial: uma maior concentração urbana oferece mão de obra a custo baixo e mercados dinâmicos para escoar a produção. A sociedade tornou-se mais complexa, suas relações mediadas por grandes organizações e instituições. Uma entre as muitas consequências dessas mudanças foi o gradual distanciamento entre produtores e consumidores. E é importante analisar essa divisão.
Antes da produção industrial, a fabricação era um processo manual e consciente. O artesão dominava praticamente todas as etapas do tratamento e transformação de matérias-primas em produtos. O conhecimento sobre o processo fabril tinha muito valor, e era transmitido de geração em geração. Existia a possibilidade do contato pessoal entre quem fabricava alguma coisa e aqueles que a utilizavam. Por mais que o artesão pudesse contestar interferências em seu trabalho e negar-se a atender a pedidos, algum diálogo era sempre possível. Por outro lado, ele também precisava saber usar aquilo que fabricava. Ou seja, deveria ser ele mesmo o mais exigente de seus usuários. Com o passar dos anos, o artesão aplicado tornava-se mestre em seu ofício, formando novas gerações e incrementando o domínio técnico daquela área do conhecimento como um todo.
O desenvolvimento da produção industrial teve fortes implicações nesse contexto, à medida em que afastou a produção do consumo, ao ponto da desconexão total. Criaram-se mundos totalmente separados. De um lado ficaram os operários na indústria, os braços responsáveis pela fabricação dos produtos. São até hoje pessoas que em sua maioria conhecem apenas uma ínfima parte do processo de fabricação. Muitas vezes elas não utilizam os produtos que fabricam, e frequentemente nem saberiam como fazê-lo. Repetidamente juntam uma peça com a outra, apertam parafusos, empilham, verificam o resultado e tornam a repetir o processo, como o personagem de Chaplin em “Tempos Modernos”. Por não terem uma visão geral do processo, essas pessoas necessitam de chefes que as orientem, disciplinem e controlem. Já esses chefes tornam-se por sua vez mais uma classe à parte, os gerentes. Responsáveis pela domesticação da força de trabalho, são em geral conservadores, bajuladores da elite e avessos a mudanças.
Já na outra ponta da industrialização – o “mercado consumidor” – cada indivíduo passou a ser visto muito mais como um comprador em potencial do que como sujeito social. Em vez do contato pessoal com os produtores, resignou-se à impessoalidade do marketing e dos setores de atendimento ao consumidor das grandes empresas. Não sabe mais quem foram as pessoas que produziram aquilo que compra, e é levado a nem se interessar por isso.
Nesse cenário, alguma coisa humana se perdeu. É tristemente real a anedota da criança que, perguntada sobre de onde vem o leite, responde que vem “da caixinha”. Mais triste ainda é perceber quão mais inconscientes ainda somos quando adultos. Essa ignorância se estende para praticamente todos os produtos industrializados. É raro o momento em que paramos para pensar como, onde e por quem são feitas as coisas que nos cercam, de onde vieram as matérias-primas que deram origem a essas coisas, ou mesmo se determinado produto funcionaria melhor se fosse feito de outra forma. Existe a ilusão de que tudo é feito por máquinas, de que o elemento humano não existe mais. E isso está longe de ser verdade: todo produto tem em sua origem recursos naturais. Todo produto requer um esforço criativo inicial seguido por sucessivas fases de trabalho manual, frequentemente realizado sob condições precárias. Não percebemos, mas estamos sempre usando ou carregando objetos – roupas, aparelhos, móveis, tudo – que embutem pedaços do planeta, idéias e suor.
Obsolescência programada
O andar da história amplificou ainda mais a tendência industrial ao distanciamento e à frieza na relação entre fabricação e uso. A era dos mercados de massa, impulsionada por novos meios de transporte e comunicação, alcançaria níveis sem precedentes de afastamento e distorção. Como retratado no recente documentário produzido pela TV espanhola “Comprar, tirar, comprar” (“Comprar, jogar fora, comprar”), em meados do século XX representantes de grandes corporações industriais se reuniram secretamente para estabelecer que seus produtos deveriam durar menos tempo. Ou seja, frente à necessidade visceral das corporações continuarem crescendo ano após ano, seus dirigentes simplesmente decidiram a portas fechadas que os consumidores teriam acesso a produtos menos duráveis, que precisariam ser substituídos em prazos menores! O documentário dá um exemplo emblemático: uma estação de bombeiros norte-americana onde se encontra uma lâmpada incandescente, que recentemente completou cem anos de idade, e ainda está em funcionamento. Nos dias de hoje, as lâmpadas são deliberadamente fabricadas para durar um número limitado de horas de uso. Ou seja, nenhuma lâmpada fabricada hoje vai durar cem anos. E isso não é coincidência: é “planejamento estratégico”, no jargão corporativo.
O mesmo acontece com impressoras, meias-calças, automóveis, eletrodomésticos e muitos outros produtos. Essa é uma tendência intencional, chamada de obsolescência programada. Segundo essa perspectiva, qualquer produto só vale alguma coisa para o fabricante até o instante em que é vendido. A partir do momento que está em posse do consumidor, quanto antes for descartado melhor. Em outras palavras, qualquer produto vendido já é considerado lixo. Essa visão se perpetua nos dois lados do processo produtivo: tanto através dos gerentes que se sobrepõem à mão de obra industrial, condicionando seu trabalho à continuada necessidade de aumentar o faturamento e a lucratividade, produzindo coisas que duram menos tempo; quanto nos departamentos de marketing, que se esforçam em condicionar o comportamento dos consumidores para que continuem comprando produtos novos, mesmo que não precisem deles. Existem setores da administração de empresas especializados em simular relacionamentos prolongados com seus clientes, que são vistos não mais como compradores de produtos (e menos ainda como pessoas), mas sim fontes de faturamento para toda a vida.
É importante perceber o peso desses mediadores. Um engenheiro competente e bem intencionado que queira desenhar um produto mais durável ou que permita o reuso será provavelmente demovido por seus colegas e chefia. Se insistir, a empresa pode até considerá-lo uma espécie de traidor, por conta de uma alegada necessidade de competir pelo desenvolvimento de produtos que durem menos e proporcionem maior lucro, a fim de “não perder espaço para a concorrência”.
E o mais assustador é que nesses ambientes isso é tratado quase como uma verdade universal. As escolas de negócios fazem uma lavagem cerebral, repetindo frases feitas com o objetivo de desumanizar ainda mais a produção e comercialização de bens e serviços. Outro elemento importante a perceber: as empresas em geral se utilizam de linguagem bélica para descrever suas atividades: “público-alvo”, “derrotar os oponentes”, “conquistar”, “dominar”. Não é por acaso. Guerra e comércio estão conectados há muito tempo. A produção industrial, e com ela o poder corporativo, está ligada profundamente à manutenção das estruturas de poder na sociedade. O premiado documentário britânico “Máquinas de Felicidade”(The Century of the Self) mostra como técnicas oriundas da psicologia foram utilizadas desde o começo do século XX para forjar uma sociedade individualista e politicamente frágil, lançando mão do hábito do consumo como indulgência acessível a todos. Isso vai muito além da produção e do comércio, infantiliza a população, e tem reflexos profundos na relação das pessoas com as tecnologias que adquirem.
A quem pertencem os objetos?
Quando pagamos por um produto, acreditamos poder fazer o que quisermos com ele. Isso deveria incluir todos os usos previstos pelo fabricante, além de todos os outros usos que quiséssemos propor. Nas condições atuais, pode não ser bem assim. Particularmente em relação a eletrônicos, existe uma série de restrições legais sobre como podemos utilizá-los. São cada vez mais frequentes os casos de fabricantes que penalizam os usuários que promovem o desvio de funções de seus aparelhos. Um exemplo: a Sony ameaçou judicialmente entusiastas por desenvolverem software que habilitava o robô Aibo a dançar.
Em outras palavras: a empresa proibiu usuários – que, diga-se de passagem, pagaram caro pelos equipamentos que compraram – de fazerem usos que ela própria não consegue oferecer. Por mera compulsão de controle, ela interfere em um aspecto fundamental para a promoção da inovação e seu potencial de transformação social: a chamada indeterminação do objeto técnico, ideia bem desenvolvida pelo francês Gilbert de Simondon (cujos textos vêm sendo traduzidos ao português e disponibilizados na internet por Thiago Novaes .
Esse vício de controle não se limita ao software. Existem também crescentes restrições ao armazenamento e circulação de conteúdo. Por exemplo, se você comprar um CD de música e fizer uma cópia de segurança para manter as músicas caso o CD se extravie ou seja furtado, estará incorrendo em crime. Mesmo que não tenha a intenção de distribuir para outras pessoas, a indústria fonográfica impõe uma legislação que trata a todos como criminosos. A Fundação do Software Livre mantém uma campanha chamada “Deliberadamente defeituosos”, através da qual critica os aparelhos eletrônicos que adotam sistemas de gerenciamento de direitos autorais. Afirma que esses equipamentos já são projetados de maneira a retirar liberdades de seus usuários, o que tem consequências negativas para o conhecimento humano em geral.
O autor de literatura ciberpunk William Gibson diz que “a rua encontra seus próprios usos para as coisas”. Isso é uma característica de todo e qualquer objeto, ainda mais presente em se tratando de ferramentas com múltiplos usos potenciais como computadores, roteadores, telefones, tablets e afins. Com um pouco de habilidade técnica, uma boa pesquisa na internet e muita vontade, um monitor LCD pode virar um projetor, uma impressora matricial se transformar em instrumento de música, uma webcam servir de base para um microscópio digital, um celular ser usado como leitor de código de barras. Nesse sentido, restrições à liberdade de uso tendem a frear o impulso criativo. Grupos de pessoas motivadas e com liberdade de experimentar são uma das bases da inovação. Se não fossem os amadores promovendo o desvio de função dos kits de eletrônica nos anos setenta, talvez o computador pessoal nunca tivesse sido inventado. Precisamos garantir que essa liberdade continue existindo.
Apropriação crítica e bricotecnologia
Ao longo do tempo e dos diversos projetos desenvolvidos pela rede MetaReciclagem, trabalhamos sempre entre dois extremos: de um lado a adoção rápida de novas tecnologias e das novas possibilidades que elas trazem, do outro a crítica ao consumismo superficial. A busca do equilíbrio parece estar no que costumamos chamar de apropriação crítica das tecnologias. Ela toma forma na aproximação entre produção e uso de conhecimento aplicado que tem emergido internacionalmente. O software livre é um exemplo, estimulando ciclos econômicos que em vez de operarem em função da escassez optam pela abundância e pela generosidade. A chamada cena maker é um exemplo ainda mais concreto: pessoas no mundo inteiro fazendo uso de conhecimento compartilhado em rede para criar objetos e dispositivos interconectados. Disso saem ideias para aparelhos que realizam praticamente qualquer coisa: estações de monitoramento ambiental, objetos fabricados em impressoras 3D, protótipos de aparelhos focados nas necessidades de pequenos grupos de pessoas. Eu tenho chamado isso de bricotecnologia – a revalorização do saber-fazer, aplicado às tecnologias de informação e operando em rede.
A apropriação crítica passa pela valorização da inovação cotidiana, representada pela prática popular da gambiarra. Símbolo do impulso criativo orientado à solução de problemas concretos mesmo sem acesso ao conhecimento, ferramentas ou materiais adequados, a gambiarra torna-se ainda mais importante em uma época de crise econômica global, iminente colapso ambiental e consumismo exacerbado. Baseia-se na manipulação (entendida como o ato pegar com as mãos e interferir nos objetos) e na experimentação (sequência de tentativas, erros e novas tentativas). Dá origem a uma criatividade desobediente, que não se assusta com a precariedade e sempre vê o mundo como lotado de potencialidades – uma verdadeira lição que as culturas populares brasileiras têm a dar em tempos de crise econômica, colapso ambiental e disparidade social.
Quando em contato com as inúmeras possibilidades das tecnologias de comunicação em rede, em especial aquelas ligadas ao software livre, temos um potencial de transformação gigantesco. Indivíduos que tenham a gambiarra como habilidade essencial, e se utilizem do conhecimento aberto disponível em rede para adquirir ideias e técnicas, podem ser vistos como inventores em potencial de novos arranjos criativos, espalhados por todas as classes sociais e localidades.
A apropriação crítica supõe o amadorismo – que vem do latim amare, referindo-se às pessoas que se dedicam a um ofício mais por paixão do que por necessidade objetiva. Ao contrário do que muitas vezes se pensa, os amadores estão em geral mais abertos à inovação. Justamente por não terem o domínio completo da técnica estabelecida e por não ocuparem posição nas hierarquias profissionais, têm mais espaço para o desvio e a transformação. Têm a possibilidade de questionar certezas e imposições, e com isso descobrir melhores maneiras de fazer as coisas.
Outro traço característico das culturas populares que faz muito sentido para a apropriação crítica de tecnologias de comunicação é o mutirão – agrupamento dinâmico que se forma para cumprir tarefas coletivas e em seguida se desfaz. O mutirão possibilita a efetiva cooperação entre pessoas e grupos, aumentando sua capacidade individual e promovendo uma sociabilidade livre e produtiva. As redes sociais online dialogam muito bem com a lógica do mutirão, promovendo laços de contato entre pessoas que não têm um convívio cotidiano. É natural que a abertura a novos contatos estimule a criatividade, de modo que estimular iniciativas dinâmicas em rede é mais uma forma de potencializá-la.
A bricotecnologia e a apropriação crítica sugerem a reconciliação entre manufatura e necessidades cotidianas, libertando a fabricação da exigência de escala. Gabriel Menotti propôs, no artigo “Gambiarra: The Prototyping Perspective” (artigo cuja tradução para português deve sair na compilação sobre “Gambiologia” do MutGamb, uma edição que ironicamente está há dois anos aguardando finalização), a análise do contraste entre a gambiarra e o protótipo. Se esta indica uma fase prévia à fabricação propriamente dita, aquela dissolve a fronteira entre esses dois estados e se coloca como solução intermediária: servindo ao uso ao mesmo tempo em que se mantém aberta para reinvenção. Uma vez que as ferramentas e materiais necessários para fabricar objetos estão se tornando cada vez mais acessíveis, é importante desenvolver as habilidades técnicas e a criatividade que podem fazer uso desses recursos, e assegurar que apontem a ciclos de inovação baseados em conhecimento livre. A apropriação crítica, a bricolagem, a gambiarra e o mutirão são elementos fundamentais dessa equação."

domingo, 27 de janeiro de 2013

E VIVA 2013!


Este post chegou para desejar a todos um ano de muita LUZ, SAÚDE E BRINCADEIRAS!

2013 será um ano de muitas ações para o Muriquinhos! Pretendemos ampliar a nossa atuação não só nas oficinas com crianças, mas na formação de professores, que em 2012 nos fortaleceu e nos deixou muito satisfeitas com os resultados!

Lá vai um pouquinho de JOSÉ SARAMAGO


Uma calma luz...

“... cada um de nós vê o mundo com os

olhos que tem, e os olhos vêem o que

querem, os olhos fazem a diversidade do

mundo e fabricam as maravilhas, ainda

que sejam (elas, as maravilhas) de pedra,

e altas proas, ainda que sejam de ilusão.”



sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Lixo pelos Ares


Escrito por Rosana Roza:



Que avião!!!  É o que as crianças dizem quando pegam os aviões feitos pelo Marcelo, mais conhecido como Nem, para brincar. Ele faz belíssimos aviões utilizando materiais resgatados como canos, retrós de linha, madeiras, lâmina do liquidificador e por ai vai...
O Nem mora numa vila charmosa em João Molevade – MG, onde as crianças ainda brincam na rua.  Foram elas que numa de suas brincadeiras pediram para ele fazer um avião e a partir daí não parou mais. Foi brincando com as crianças e aperfeiçoando seus aviões.
Veja algumas fotos

Como encontrá-lo?
(031) 3851 7683
(031) 9104 2999
jm-mg46@hotmail .com


segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Eu quero brincar.

Aproveitando que a Camila sacudiu um pouco a poeira aqui do blog (ele estava quase virando "sucata da história" como no poema do Manoel de Barros...), vou postar o link de um dos vídeos que utilizamos no curso de formação de professores feito em parceria com a Jequiti Cosméticos, a Cooperativa Crescer e a Eco Cultural.


O curso aconteceu nos dias 18 e 25 de agosto e reuniu cerca de 35 professores de escolas do entorno da empresa Jequiti. Foram 12 horas de um convívio intenso, refletindo e vivenciando possibilidades de união entre o brincar e a consciência ecológica. Contar as pérolas que aconteceram no curso vai levar umas boas postagens... mas desta vez, vou deixar o vídeo sintetizar um pouco do pensamento que movimentamos lá.


É uma animação que se chama "Eu quero é brincar". Faz parte de uma série que foi veiculada pela TVE Rede Brasil, entre 2004 e 2005, que se chama Canções dos Direitos das Crianças. Cada clip tem 1 minuto e pouco e fala de um dos direitos. O que fala sobre o brincar é cantado pelo Luiz Melodia e o coral As Princesas de Petrópolis. Os créditos completos estão no link http://www.midiativa.tv/blog/?p=423





domingo, 2 de setembro de 2012

VOLTAMOS!


Queridos visitantes,
Estávamos bastante atarefados e deixamos o blog para segundo plano...
Prometo atualizá-lo sempre que possível!
Para abrir este segundo semestre, escolhi uma linda poesia que nos acompanhou em dois eventos este ano: um em Mato Grosso do Sul: Simpósio Mundial da OMEP e outro em um trabalho de formação de educadores na Jequiti, ambos sobre a relação do brincar com a construção de brinquedos com materiais “resgatados”.

“A Infância - Sobre sucatas

Isto porque a gente foi criada em lugar onde não tinha brinquedo fabricado. Isto porque a gente havia que fabricar os nossos brinquedos: eram boizinhos de osso, bolas de meia, automóveis de lata. Também agente fazia de conta que sapo é boi de cela e viajava de sapo. Outra era ouvir nas conchas as origens do mundo. Estranhei muito quando, mais tarde, precisei de morar na cidade. Na cidade, um dia, contei para minha mãe que vira na Praça um homem montado no cavalo de pedra amostrar uma faca comprida para o alto. Minha mãe corrigiu que não era uma faca, era uma espada. E que o homem era um herói da nossa história. Claro que eu não tinha educação de cidade para saber que herói era um homem sentado num cavalo de pedra. Eles eram pessoas antigas da história que algum dia defenderam a nossa Pátria. Para mim aqueles homens em cima da pedra eram sucata. Seriam sucata da história. Porque eu achava que uma vez no vento esses homens seriam como trastes, como qualquer pedaço de camisa nos ventos. Eu me lembrava dos espantalhos vestidos com as minhas camisas. O mundo era um pedaço complicado para o menino que viera da roça. Não vi nenhuma coisa mais bonita na cidade do que um passarinho. Vi que tudo o que o homem fabrica vira sucata: bicicleta, avião, automóvel. Só o que não vira sucata é ave, árvore, rã, pedra. Até nave espacial vira sucata. Agora eu penso uma garça branca de brejo ser mais linda que uma nave espacial. Peço desculpas por cometer essa verdade.”

(Manoel de Barros)

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Lugares para brincar

Eu sou daquelas que acha que é possível brincar em qualquer lugar. Até nos lugares virtuais... Talvez por isso, tenho essa mania de brincar de caça ao tesouro na internet. E posso dizer que já encontrei algumas belas joias, como essa que resolvi compartilhar aqui:
É um blog sobre playground. Mas se você logo imagina aqueles espaços comerciais com estruturas tubulares e cores primárias (que alguém convencionou que seriam cores infantis...), prepare-se para ver de outro jeito. Os lugares de brincar apresentados neste blog estão bem longe dos padrões dos parquinhos industrializados. São verdadeiras brincadeiras para o olhar.
Fora isso, eles também tem um pezinho no movimento de resgatar materiais...
Eu ainda não olhei tudo e já estou com vontade de adaptar algumas ideias aqui em casa.
Quer brincar um pouco também? Entre no link:
Para ilustrar minha descoberta, coloco a imagem de uma obra da Niki de Saint Phalle. A obra que me fez começar a olhar com outros olhos para os parques de diversão. É o Golem, uma espécie de "bicho papão", que fica no Parque Rabinovich em Jerusalém.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Aspas


Aspas

Nesta cidade,
As crianças entre aspas,
Entre as paredes ásperas.
A criança, a bola e a parede.

A criança pergunta
E a parede responde,
A criança onde
E a parede unta.

A bola?
A bola aspeia.

do livro Galeio, de Francisco Marques (o Chico dos Bonecos)

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Baú de Possibilidades




Um livro bom, de graça e sobre o brincar... vai me dizer que você não quer?


Se ainda não te convenci, lá vai a frase que começa o livro:


"... que a importância de uma coisa não se mede com fita métrica nem barômetros etc. Que a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós." Manoel de Barros


Se agora já bateu pelo menos uma pontinha de curiosidade, baixe o livro neste site.
Eu já peguei o meu exemplar virtual e li alguns trechos.
O capítulo que li na íntegra, Arte e Experiência, foi escrito por Sirlene Giannotti. Um relato sobre a experiência de três crianças com o processo de criação na arte cerâmica. É ler e viver um pouquinho com as três crianças. É ler e descobrir "como fizeram para juntar o seu coração?"









quarta-feira, 14 de abril de 2010

Tampas e tampinhas

Acho que de todos os materiais que reaproveitamos, as tampinhas ocupam o primeiro lugar da lista. Brincamos, dizendo que são muito valiosas. São como moedas, só que de plástico.
Só para apontar algumas vantagens: elas são pequenas, portanto fáceis de guardar. Em geral, são bem resistentes, o que torna o brinquedo produzido resistente também. Tem mil cores e formatos, o que favorece o processo de criação.
Se mesmo depois disso, você acha que tampinhas são inúteis, mande-as todas para os muriquinhos... ou quem sabe para esse artista que parece gostar tanto de tampas quanto eu...

A primeira vez que vi uma de suas obras fiquei curiosa. Depois passei pelo mesmo lugar com a Edna e a Andrea. A Andrea me contou que viu o cara (ops! o artista) colocando as tais tampas e também achou interessante (a Andrea já é toda contaminada com essa coisa de olhar de artista...). Dai em diante fui reparando que existem várias obras espalhadas pelas ruas perto do colégio onde trabalho (em São Paulo, na região do Butantã, Pinheiros e Lapa).
Mas hoje descobri uma obra sua em um lugar diferente: aqui na net. Estava bisbilhotando este blog de arte brasileira contemporânea, quando me deparei com as tais tampas, ou melhor, com a intervenção com tampas.
O nome do artista é Thiago Bender e o da obra é Olhos Cósmicos.
Procurei mais informações, mas ainda não encontrei. Foi então que tive uma ideia muriquinha:
é uma espécie de caça ao tesouro. Quem me mandar uma foto de uma obra do Thiago Bender (desta série das tampas) ou alguma informação sobre ele, ganha um brinquedo do muriquinhos. É só mandar para pri.okino@uol.com.br

terça-feira, 16 de março de 2010

Por outros quintais...


Neste final de semana finalmente inaugurei as postagens deste ano!!! A Camila já tinha até me puxado a orelha. Várias pessoas já tinham escrito comentários nas postagens antigas. E eu já tinha prometido voltar ao blog muitas vezes. Mas eu andava por outros quintais descobrindo mil tesouros e acabei meio perdida.
Como desculpas, vou repartir um pouco das minhas descobertas:
- Quintarola: blog da Cibbele Carvalho e da Claudia Souza que são escorpianas como eu e que se dedicam a falar sobre a cultura da criança;
- Cultura do Brincar: blog do Luiz Carlos Garrocho, cheio de textos pra lá de interessantes e encantadores sobre o que mais gostamos de ler: crianças, arte e o brincar;
- Mapa do Brincar: site que faz tempo já era pra ter sido citado aqui (mas como a Ro, que foi quem esteve mais de pertoxenvolvida com as organizadoras deste material não escreveu até hoje...). Ele mostra um pouco de todo o trabalho de pesquisa feito pela Folha. Tem uma parte com depoimentos de "mestres do brincar" que vale a pena.
Bom, tem mais uma porção de tesouros que quero repartir, mas aos poucos para podermos saborear cada detalhe.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Ciclos e giros




Acabo de encontrar um bloquinho velho com algumas anotações esquecidas (ainda bem que foram anotadas!!!). Uma delas traduz um pouco do que sinto em relação ao uso dos materiais. Acho que disto nasce o meu encantamento pelos ciclos e pelos giros. Para ilustrar, um brinquedo que ganhei de um muriquinho engenheiro (ou será que é engenhoqueiro?), o João, marido da Ro, que já tem pelo menos duas fãs: eu e a Edna (nós adoramos as suas invenções).
Bom, lá vai a anotação:
"Cada coisa útil, como ferro, papel, etc. deve ser encarada sob duplo ponto de vista: segundo qualidade e quantidade. Cada uma dessas coisas é um todo de muitas propriedades e pode portanto ser útil sob diversos aspectos.
Descobrir esses diversos aspectos e portanto os múltiplos modos de se usar as coisas é um ato histórico" Karl Marx, em O Capital, vol. I, cap. 1

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Bernúncia


"Olê Olê Olê Olê Olá
Arreda do caminho
que a bernúncia vai passar
A bernúncia é bicho brabo
Que engoliu mane João
Come pão, come bolacha
Come tudo que lhe dão"

Olhando assim de repente, você pode até pensar que esse bichão ai é um boitatá... mas não... essa é uma legítima bernúncia, a primeira e única que fiz, junto com a Lova e nossos alunos do CEU (uma época que tenho saudades demais da conta...).

A bernúncia é um personagem do boi-de-mamão catarinense. Além de ter suas semelhanças com o boitatá, também dizem ter parentesco com o dragão chinês. Da família dos bichos papões, que comem e encantam criancinhas, a bernúncia tem uma cabeça grande que abre e fecha a boca, e um corpo dançante, formado por pessoas que já foram engolidas.


Fazer uma dá muito trabalho. Mas quando a ajuda é grande, não há monstro que nos segure... Nessa bernúncia até as mães ajudaram costurando o corpo de tecido e bordando figuras. A cabeça, feita de embalagens de isopor, foi pintada pelas crianças.


Deu até pra fazer uma bernúncia bebê...
Quem quiser saber mais sobre como esse bichão surgiu, lá vai a dica de um ótimo site sobre cultura popular: http://www.jangadabrasil.com.br/revista/setembro70/fe70009a.asp

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Lembrança

Ao ler a postagem da Pri "Pouca coisa, muita brincadeira", fiquei um tempo lembrando das coisas boas que passei ao lado de crianças... Dos brinquedos mais simples e encantadores que elas criam com tão pouco; do brilho no olhar e na realização de cada invenção; do quanto elas nos ensinam!
Divido alguns momentos com vocês.

Neste dia, só ofereci a natureza ainda que restrita nesta instituição, conta-gotas e água. Aprendi utilizar este material para o trabalho corporal com uma das minhas grandes referências na educação a Maria Amélia Pereira (Peo) da Casa Redonda.
Já neste momento, o material eram cones e argolas, primeiro elas utilizaram para demarcar o espaço de uma brincadeira e depois... Olhem o que a Janaína (05 anos) inventou! A caixa de areia e alguns objetos, tais como tampinhas, miniaturas, pratinhos, funil e etc., também propiciam muitas descobertas e fantasias.
Quando eu imaginaria que as fitinhas do pega-pega do rabinho de repente se transformariam nesta obra de arte, com proporção e harmonia?
E o rolo de fio (encontrado em obras de grande porte) que eu achava que era para andar em cima. Mas as crianças pensaram muito melhor!!!

"Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende."(Guimarães Rosa)

Termino com um incentivo à lembrança... Assim como a Rosana me motivou com suas importantes reflexões e a Pri com seu texto!

Pouca coisa, muita brincadeira

A Rosana adora lembrar de frases que as pessoas dizem e citá-las, sempre dando a referência certinha. Eu já sou um pouco mais liquidificador: vou juntando tudo no mesmo frasco e quando resolvo usar já não sei mais quem disse o começo, o meio e o final da frase.
O que acontece é que algumas frases sempre ajudam a resgatar os nossos porquês. E é por isso que hoje vou citar uma frase da Rosana:
"Para brincar a gente precisa de muito pouco..."
e depois de dizer isso, ela em geral começa sua brincadeira envolvente com aquele simples pedaço de barbante.
A cada dia que pesquisamos brinquedos e brincadeiras, descobrimos que essa frase tem uma grande força. Em geral, são os brinquedos mais simples, com menos parafernálias, que mais encantam.
E muitas vezes, o material nem é realmente um brinquedo, mas o olhar é brincante...
Uma situação que vivi e que exemplifica isso que estou querendo dizer é essa que ficou registrada na minha memória e nas fotos.
Foi quando eu trabalhava lá no CEU Alvarenga (que tem várias boas histórias...). O coordenador cultural era o Guilherme Teixeira, que é cheio de ideias (suas e aproveitadas dos outros). Certo dia, ao chegar para o trabalho, antes mesmo de chegar ao ateliê, deparei com o chão do pátio externo sendo reformado. As pedras que formavam o piso, haviam sido retiradas e amontoadas, como se tivesse passado por ali uma marmota gigante.
Quando olhei para o Guilherme, não deu outra: resolvemos brincar de bloquinhos de construção, com bloquinhos de verdade. Comecei com minha turma de alunos, uns 12 no máximo. Quando percebemos, tinha tanta gente que parou por ali para brincar também, que as construções foram se fundindo umas às outras. A aula voou e foi o dia que tive mais "alunos". O Guilherme contou uns 50 pelo menos. E de todas as idades.


Agora eu brinco de lembrar...
E voltando à frase da Ro:
"Para brincar a gente precisa de muito pouco...", eu complemento: "o certo é que precisamos brincar."

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Do outro lado do mundo

As tramas de barbante não são exclusividade brasileira. Lá do outro lado do mundo, no Japão, a cama-de-gato recebe o nome de ayatori. Algumas figuras são muito complexas, mas para começar é melhor tentar algo mais simples.
Veja se você consegue seguir essas instruções para fazer uma vassoura de bruxa:

1- Coloque o barbante entre o polegar e o mindinho como na figura. Puxe no local indicado pela estrela;
2- Passe a mão por dentro da alça e puxe no local indicado pelas estrelas;
3- Para isso encaixe o dedo indicador e o mindinho nos locais indicados formando duas alças quando terminar de puxar;
4- Encaixe os dedos indicador, pai de todos e anelar nos locais indicados pelas letras A, B e C respectivamente;
5- Jogue as alças para as costas da mão e puxe no local indicado pela estrela;
6- Pronto!!! Agora é só sair voando...
Se achou difícil, tente várias vezes. Se achou fácil, entre no YouYube para tentar algo um pouco mais difícil:
http://www.youtube.com/watch?v=I-QGwi0rWR4&feature=fvw
Boa diversão!!!


quarta-feira, 29 de abril de 2009

A oca em ação

Abrigo Mercantil, Franklin Cassaro, 2003
Sei que já contei sobre a oca ôca aqui. Mas tenho duas desculpas para falar dela de novo:
- acabei de receber um vídeo, feito pela muriquinha Adriana, com a oca em ação em um dos nossos projetos do ano passado (o Mar de Muriquinhos);
- e eu adoro muito a oca.
Como as duas razões são ótimas, vamos lá.
A oca ôca, que eu chamo assim porque em algum lugar do passado me apresentaram ela com esse nome (deve ter sido o Guilherme Teixeira... que como já disse foi quem me ensinou), é nomeada como "abrigo" pelo artista, Franklin Cassaro. O complemento do nome é dado pelo tipo de material que ele usa para fazer a oca, ops!, o abrigo: por exemplo, se usa o caderno de negócios do jornal, chama seu abrigo de mercantil. Assim, temos o abrigo enciclopédico e o classificado. Mas todos, no geral, são chamados de abrigos bioconcretos, que é uma palavra que o artista inventou para definir sua arte.
Foi o Franklin Cassaro quem inventou essa obra, que transformamos em brinquedo e apelidamos de oca ôca, mas eu aposto que ele teve ideia vendo aqueles balões que alguns chamam de galinha morta. Mas calma, no caso da oca ôca, não há perigo de incendiar nada. Um dia ainda vou conseguir falar com esse artista para confirmar.
Enquanto isso, os muriquinhos vão fazendo ocas por tudo quanto é lugar que passam. Um dia, o
Cassaro vai chegar num lugar, e algumas crianças vão mostrar o brinquedo que conhecem para ele... he he he.
Bom, vamos deixar de falatório, pois o vídeo diz muito mais...