segunda-feira, 26 de julho de 2010

ENCONTRO COM DIFERENTES CULTURAS


Merci! Grazie! Gracias! Thanks! OBRIGADA!

“As crianças não brincam de brincar. Brincam de verdade…
Triste de quem não conserva nenhum vestígio da infância…”


(Mário Quintana)


Na primeira quinzena de julho o nosso grupo representou o Brasil em um Congresso Internacional de Psicomotricidade. O nosso projeto unido aos princípios da psicomotricidade foi objeto de reflexão no ateliê desenvolvido em Paris por intermédio do ISPE-GAE (Instituto Superior de Psicomotricidade).
O trabalho desenvolvido teve como tema: “O olhar da psicomotricidade na construção de brinquedos com materiais reutilizáveis”. Unimos o caráter lúdico da construção de brinquedos à consciência ecológica. Além disso, apresentamos o brincar no processo de aprendizagem, resgatando possibilidades de articulação de raciocínios, de expressão visual, auditiva, proprioceptiva e cinestésica.
Os objetos construídos com materiais reutilizáveis em que o lixo possui outra finalidade, que não seja o retorno no ciclo de produção original, é muito significativo, pois analisando o aspecto afetivo percebemos que o indivíduo ao construir o brinquedo, carrega inconscientemente a mensagem de lidar com o velho, com o que já foi usado, modificando-o e valorizando-o. O aspecto cognitivo está em imaginar e criar novas alternativas a partir de uma situação pré-determinada, além do valor ecológico e de cidadania (redestinar o material para que ele seja reaproveitável e ganhar uma nova finalidade, não ficando mais perdido em aterro de lixo).
Na cultura brasileira encontramos uma grande variedade de brinquedos criados a partir de objetos simples e reutilizados, tais como embalagens. Temos brinquedos de origem indígena, africana, européia, entre outras influências. Nos nossos tempos, muitos desses brinquedos ficaram esquecidos na memória de quem teve a oportunidade de passar sua infância em lugares mais livres da violência e menos influenciados pela cultura industrial.
A quantidade de lixo produzida diariamente por um ser humano é de aproximadamente 5 Kg. Se somarmos toda a produção mundial, os números são assustadores. Só o Brasil produz 240 000 toneladas de lixo por dia.O aumento excessivo da quantidade de lixo se deve ao aumento do poder aquisitivo e perfil de consumo de uma população. Além disso, quanto mais produtos industrializados, mais lixo é produzido, como embalagens, garrafas,etc.
Segundo a secretaria do meio ambiente apenas 2% do lixo de todo o Brasil é reciclado! Uma garrafa plástica ou vidro por exemplo pode levar 1 milhão de anos para decompor-se. Uma lata de alumínio, de 80 a 100 anos. Porém, todo esse material pode ser reaproveitado, transformando-se em novos produtos ou matéria prima, sem perder as propriedades.
Quando reaproveitamos uma embalagem devemos estudar suas características (forma, cor, tamanho, flexibilidade, etc) para transformá-la no que queremos. Esse é um grande exercício de olhar e de apropriação desse objeto, para que possamos transcender sua função inicial.
A construção de brinquedos muitas vezes é acompanhada por um jogo ou uma brincadeira, logo, ampliamos a possibilidade terapêutica e educacional.
Concluo esta postagem agradecendo cada palavra de troca, de admiração, de comunhão... no nosso primeiro encontro internacional!
(Dados epidemiológicos: pesquisa de Lara Loureiro).









E COMO SEMPRE APRENDEMOS NOS NOSSOS ENCONTROS... ABAIXO A MAIS NOVA RECRIAÇÃO...





quarta-feira, 14 de abril de 2010

Tampas e tampinhas

Acho que de todos os materiais que reaproveitamos, as tampinhas ocupam o primeiro lugar da lista. Brincamos, dizendo que são muito valiosas. São como moedas, só que de plástico.
Só para apontar algumas vantagens: elas são pequenas, portanto fáceis de guardar. Em geral, são bem resistentes, o que torna o brinquedo produzido resistente também. Tem mil cores e formatos, o que favorece o processo de criação.
Se mesmo depois disso, você acha que tampinhas são inúteis, mande-as todas para os muriquinhos... ou quem sabe para esse artista que parece gostar tanto de tampas quanto eu...

A primeira vez que vi uma de suas obras fiquei curiosa. Depois passei pelo mesmo lugar com a Edna e a Andrea. A Andrea me contou que viu o cara (ops! o artista) colocando as tais tampas e também achou interessante (a Andrea já é toda contaminada com essa coisa de olhar de artista...). Dai em diante fui reparando que existem várias obras espalhadas pelas ruas perto do colégio onde trabalho (em São Paulo, na região do Butantã, Pinheiros e Lapa).
Mas hoje descobri uma obra sua em um lugar diferente: aqui na net. Estava bisbilhotando este blog de arte brasileira contemporânea, quando me deparei com as tais tampas, ou melhor, com a intervenção com tampas.
O nome do artista é Thiago Bender e o da obra é Olhos Cósmicos.
Procurei mais informações, mas ainda não encontrei. Foi então que tive uma ideia muriquinha:
é uma espécie de caça ao tesouro. Quem me mandar uma foto de uma obra do Thiago Bender (desta série das tampas) ou alguma informação sobre ele, ganha um brinquedo do muriquinhos. É só mandar para pri.okino@uol.com.br

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Come-come

Depois de muitos pedidos (postagem brincadeira para dias de chuva) e muito tempo sem atender os pedidos, finalmente consegui fotografar o passo a passo desta dobradura que fez parte da infância de muita gente (e tomara que ainda faça parte de mais...)
Bom, primeiro você vai precisar de um papel quadrado. O tamanho não importa, importa que seja quadrado. O quadrado feito com uma folha sulfite é perfeito para brincar. Eu já fiz gigantes, com cartolinas; e miniaturas com papel de bloquinhos de anotação.

Dobre ao meio (no local indicado pela linha tracejada)...

... juntando as pontas e formando um triângulo.

Abra e dobre novamente, juntando as duas outras pontas...

... e formando outro triângulo.

Abra e dobre uma das pontas até o meio do papel.


Dobre as outras pontas até o meio.

Vire a dobradura.


Dobre as quatro pontas até o meio do papel.

Vire novamente a dobradura.

Dobre as pontas que estão no meio até a parte de fora.

Vire a dobradura.

Dobre ao meio, na marca indicada pela linha tracejada.


Abra e dobre no outro sentido.


Ajeite o brinquedo, encaixando os dedos polegares e indicadores em cada uma das casinhas formadas.

Agora é só desenhar e brincar.

terça-feira, 16 de março de 2010

Por outros quintais...


Neste final de semana finalmente inaugurei as postagens deste ano!!! A Camila já tinha até me puxado a orelha. Várias pessoas já tinham escrito comentários nas postagens antigas. E eu já tinha prometido voltar ao blog muitas vezes. Mas eu andava por outros quintais descobrindo mil tesouros e acabei meio perdida.
Como desculpas, vou repartir um pouco das minhas descobertas:
- Quintarola: blog da Cibbele Carvalho e da Claudia Souza que são escorpianas como eu e que se dedicam a falar sobre a cultura da criança;
- Cultura do Brincar: blog do Luiz Carlos Garrocho, cheio de textos pra lá de interessantes e encantadores sobre o que mais gostamos de ler: crianças, arte e o brincar;
- Mapa do Brincar: site que faz tempo já era pra ter sido citado aqui (mas como a Ro, que foi quem esteve mais de pertoxenvolvida com as organizadoras deste material não escreveu até hoje...). Ele mostra um pouco de todo o trabalho de pesquisa feito pela Folha. Tem uma parte com depoimentos de "mestres do brincar" que vale a pena.
Bom, tem mais uma porção de tesouros que quero repartir, mas aos poucos para podermos saborear cada detalhe.

sábado, 13 de março de 2010

Brincando de lojinha



Faz um tempo, tem pulado na cabeça dos muriquinhos a ideia de ter uma lojinha. Quando nosso grupo nasceu, a gente só pensava em brincar. Mas com o tempo, nossos parceiros e patrocinadores vinham com mil propostas e pedidos. Foi assim que começamos a produzir brinquedos para distribuição como brindes e manuais de construção.
No ano passado, a Rosana teve a ideia de fazer a festa dos filhos com a cara do muriquinhos. Ela passou um tempo cuidando dos preparativos (que para mim é a melhor parte da festa) e envolveu um monte de gente (e de muriquinhos) na confecção de brindes, convites e decorações. Não tenho fotos da festa, mas vou pedir para vocês entenderem melhor como foi.
No final do ano, tentamos uma barraquinha em uma feira de artesanato, mas o tempo não ajudou muito. Mesmo assim, o esforço da Cássia e da amiga da Ro, valeram a pena para perceber como as pessoas se interessam pelos nossos produtos.
Neste ano, uma comadre da Ro disse que queria uma festa para seu filho parecida com a do Thomás e João Pedro (filhos da Ro). E lá fomos nós escrever um projetinho pra ela.
Foi o que precisava para engatar a primeira nesta nova aventura.
Agora, vamos mesmo brincar de lojinha, ou melhor, vendinha, que é mais a nossa cara de cultura popular.

Ontem, entregamos nossa primeira encomenda (10 sopra-bolinhas de peixinho e 10 barangandões na embalagem estrela). Esses brinquedos serão as lembrancinhas do 1º aniversário do Mariano, filho da Yamila.
Para quem quiser visitar nossa vendinha o endereço é www.vendinhadosmuriquinhos.blogspot.com

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Dica!

Para quem aprecia boa leitura, contação de histórias e dobraduras... Confira!


quinta-feira, 15 de outubro de 2009

copinho voador


Tanto tempo sem colocar nada no blog só pode ser desculpado, ou pelo menos amenizado, com a dica de um brinquedo bem divertido. Se for bem simples de fazer, melhor. Então, que tal voar com um copinho? Quer dizer, com dois.

Para construir basta grudar dois copos descartáveis pela base. Pode ser com fita adesiva colorida ou transparente. Pode ser copo de café ou de água. Se for transparente (cristal) e estiver enfeitado com durex colorido, o efeito do vôo vai aumentar.

Para lançar, um pedaço de linha ou barbante fino.

Acabei de ver num site que ensina ciência (http://www.cienciamao.if.usp.br/tudo/exibir.php?midia=rip&cod=_indefinidocopinhovoador-_1) o passo a passo desenhado. Mas lá o lançamento é feito com um elástico (vou tentar para ver como fica...).

Ah! Já ia me esquecendo, é preciso treinar um pouco para aprender a lançar. O barbante deve ser enrolado na junção dos dois copos. Uma das pontas deve ficar presa na mão, e o conjunto deve ser lançado num movimento brusco: primeiro o braço vai para a frente, soltando o conjunto dos dois copinhos. Depois o braço volta para trás, puxando o barbante. Tudo isso bem rápido. (isso é mais complicado de explicar do que de fazer!).

Para quem já estiver craque em lançamento de copinho voador, o próximo desafio é fazer o conjunto parar de pé no chão. (Eu quase nunca consigo... Mas pelo que lembro a Andréa é ótima lançadora de copinhos)

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Nova Geração

NOVA GERAÇÃO
No mês de setembro, aconteceu no ISPE-GAE (Instituto Superior de Psicomotricidade) um curso direcionado a quem trabalha com bebês, diferente do que estamos acostumadas a divulgar no blog.
Dentre as propostas estudadas, o grupo de alunos construiu uma nova geração dos bonecos anteriormente mostrados pelo Grupo Muriquinhos. Esse brinquedo é muito querido entre os bebês, pela relação sonora, pelo tamanho, pela articulação e pela beleza.

Veja abaixo o nosso resultado...



Os nomes são os mais variados: Bailarina, Machucado, Assustado, Narigudo... Cada um com a sua singularidade!

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Ciclos e giros




Acabo de encontrar um bloquinho velho com algumas anotações esquecidas (ainda bem que foram anotadas!!!). Uma delas traduz um pouco do que sinto em relação ao uso dos materiais. Acho que disto nasce o meu encantamento pelos ciclos e pelos giros. Para ilustrar, um brinquedo que ganhei de um muriquinho engenheiro (ou será que é engenhoqueiro?), o João, marido da Ro, que já tem pelo menos duas fãs: eu e a Edna (nós adoramos as suas invenções).
Bom, lá vai a anotação:
"Cada coisa útil, como ferro, papel, etc. deve ser encarada sob duplo ponto de vista: segundo qualidade e quantidade. Cada uma dessas coisas é um todo de muitas propriedades e pode portanto ser útil sob diversos aspectos.
Descobrir esses diversos aspectos e portanto os múltiplos modos de se usar as coisas é um ato histórico" Karl Marx, em O Capital, vol. I, cap. 1