quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Muriquinhos até debaixo d'água

Eu disse que a Rô começou 2014 com uma coceira para escrever. Ela me contou que já está pensando em mais dois textos. O que publico hoje está na minha caixa de emails já faz tempo, mas como o calor ainda não foi embora, a dica é preciosa. Aproveitem!



"Muriquinhos até debaixo d'água

Na passagem de ano de 2014, os muricos Sousa estavam em Valinhos na casa de parentes brincando na piscina quando, de repente, o Felipe, nosso sobrinho,  apareceu com um galão de água de 20 litros que eles usavam como bóia. A brincadeira foi certa. Ele disse que um dia pegaram esse galão de água que estava disponível, vedaram o bico com fita isolante e começaram a brincar de afundar o galão, o que não é nada fácil...  Descobrimos algumas maneiras de utilizar esse material na água além de guardar a água. É isso que os muriquinhos tem feito,  mudado as coisas de lugar.
Segundo Manoel de Barros:
“A última coisa para que a cadeira serve é para sentar.”

Pensando assim,  vejamos o que mais podemos trocar de lugar..."

Rosana Roza de Sousa







terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Diálogo com a natureza

A inspiração para este texto veio dessas imagens dos bonecos do Muriquinhos tão confortavelmente entrosados com a natureza. O esqueleto e vontade inicial do texto foram da Rosana (que parece que começou 2014 com uma coceira escritora nos dedos...). Mas como ela nos deixou muricar em cima do texto dela... acabou virando um texto coletivo.
Por incrível que pareça não é um texto sobre o brincar, mas é sobre um assunto que nos tem feito arregaçar as mangas, estudar e refletir.
O reaproveitamento de materiais tem acompanhado a história do Muriquinhos. No começo, a gente fazia brinquedos usando “sucata” e dizia que estava “reciclando”. Com o tempo, descobrimos que esses termos não eram os melhores para caracterizar o que fazíamos e que várias dessas palavras da “moda” eram utilizadas equivocadamente.
Sustentabilidade... era preciso mergulhar bem mais profundamente para começar a alcançar o real sentido desse conceito. Mais do que ler e colecionar definições, era preciso vivenciar o conceito e interiorizar práticas.
E, além de brincar, esse tem sido um dos nossos principais objetivos.
Nessa trajetória, encontramos bons parceiros como a Eco Cultural e a Cooperativa crescer, que nos deram ótimas dicas e nos forneceram materiais e esclarecimentos sobre a questão ambiental.
Foi com eles que ouvimos pela primeira vez o termo “resíduos sólidos”. Foi com eles que aprendemos que existem vários encaminhamentos possíveis para os tais resíduos sólidos.
Hoje, sabemos que apesar de tantos discursos e campanhas sobre sustentabilidade e conservação do meio ambiente, ainda há muito a ser feito.
Sabemos que o descarte correto de materiais envolve a formação e o fortalecimento de uma consciência crítica da sociedade sobre a problemática ambiental.
E são diversas as ações, frentes e estratégias para tal. A quem defenda a total substituição de materiais considerados geradores de poluição ambiental por outros que tenham uma vida útil maior ou que sejam mais inertes, como no caso do abandono da produção de embalagens plásticas e substituição por frascos de vidro. A quem veja na reciclagem a solução para o uso e produção de materiais. E entre grupos que usam a questão da sustentabilidade apenas como artifício de marketing e os que realmente se importam com o ambiente, há uma infinidade de iniciativas que sugerem ações e atitudes.
Nós gostamos de pensar que a união entre os que recusam, os que reciclam, os que reutilizam, os que reduzem, os que reaproveitam e os que refletem é o melhor caminho, em meio a tantos interesses pessoais e preocupações reais com o meio ambiente.
Isso porque, talvez a questão ambiental não seja uma questão de resposta única. Porque não é possível jogar toda essa situação, em que tanta coisa parece estar fora do lugar, no lixo de uma vez e substituir por uma nova realidade onde tudo esteja limpo. Mas é possível arrumar aos poucos. E se tiver bastante gente ajudando é mais fácil e mais rápido.
 Nós, do Muriquinhos, adotamos o “R” do resgate. Chamamos nossos materiais de resgatados. E esse tem sido nosso modo de participar da sustentabilidade, integrando consumo consciente, reaproveitamento de materiais, revalorização do brincar e transformação de posturas. Resgatando materiais, aumentamos sua vida útil e ressignificamos sua utilidade.
O brincar tem sido nosso caminho para devolver a vida aos materiais e de exercitar a cidadania, buscando uma compreensão do que é possível fazer com a realidade que temos, dentro de um aspecto, ecológico, econômico, social e cultural.
O Muriquinhos aposta na transformação. Uma transformação que começa em uma ideia. Uma ideia que nasce do desejo e que leva a uma busca por possibilidades materiais. Um movimento que envolve a organização do espaço e do tempo e que necessita de vontade e criatividade. Um movimento que transforme a forma como as pessoas olham para os materiais. Uma transformação que torne possível a integração dos resíduos sólidos ao meio ambiente.
Podemos pensar em quatro etapas necessárias para a mudança de atitude e comportamento: a ideia, a busca, a execução e a utilização (que no nosso caso é o brincar). Etapas que podem ter sua ordem invertida e seu ciclo multiplicado.
Etapas possíveis aos seres humanos desde a infância. Nas brincadeiras de crianças, facilmente observamos esse movimento. Quando disponibilizamos materiais, que a priori teriam outra utilidade diferente do brincar, rapidamente as crianças mostram que já sabem o que fazer, a brincadeira que desejam e como aqueles materiais podem ter infinitas outras utilidades. As crianças, normalmente, já vem com o que chamamos de “olhar do avesso”. Já são capazes de enxergar mil e uma possibilidades onde o adulto estipulou apenas uma. Mas adultos que ainda brincam também podem olhar do avesso e ajudar a ampliar o repertório de vivências e pesquisas do brincar.
E esse olhar do avesso das crianças pode ser o segredo para a transformação do olhar do adulto. É preciso tempo para olhar e para tomarmos consciência do que precisamos e do que podemos transformar. É preciso ouvir e analisar a opinião de pessoas mais experientes, mesmo que os mais experientes sejam as crianças. É preciso sacudir a poeira do corpo e afastar o comodismo do conforto momentâneo. É preciso resgatar valores da vida. É preciso um diálogo com a natureza.
E o primeiro passo pode parecer difícil e custoso, mas não é. Talvez seja simples como deitar no galho de uma árvore e observar como é que o mundo anda e imaginar como é que gostaríamos que ele andasse.
... e depois, pegar a primeira tampinha que você achar jogada no chão.



O mais importante não é como transformamos os materiais, mas sim como, quando manipulamos, cuidamos, resgatamos, construímos e brincamos com os materiais, nós mesmos nos transformamos.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Presépio de coragem

A Família Sousa (Thomás, João Pedro, Rosana e João) fizeram um presépio com materiais resgatados para comemorar o Natal.

A foto da construção em família e um poema sugerido pela Camila Bruno foram misturados e transformados no cartão de boas festas do muriquinhos.

Então, muitas felicidades muriquinianas e não esqueçam: ano que vem tem mais brincadeira!!!





sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Choveu... brincadeira

A previsão era de chuva, mas só choveu brincadeira!
Nosso primeiro dia de brincadeira no parque não podia ter sido melhor. Começando pelo fato do Parque Vila dos Remédios, no Jaguara, ser uma delícia. O apelido desse parque é "Matão", pois ele tem um bosque bem denso. Tem também lagos com patos, marrecos e cisnes negros. Um ótimo lugar para passear com a família num dia ensolarado.
Montamos nosso cantinho muriquinho perto das quadras e na sombra de algumas árvores. Estendemos uma lona no chão e servimos muita brincadeira.
Chegou gente de todas as idades para brincar. Alguns só queriam olhar os brinquedos da nossa mini exposição interativa, que gostamos de chamar de "pegue e brinque". Outros passaram bons momentos construindo mergulhões, copinhos voadores, corrupios e petelecos.
Mas, como sempre tem um muriquinho para inventar moda... a dona Rosana, depois de tomar o seu lanche, voltou com a ideia de utilizarmos as embalagens que estavam sendo dispensadas nas barraquinhas de alimentação para fazer mais brinquedos. Improvisando ferramentas, surgiram brinquedos como vai e vem, bilboquê, labirinto, telefone de fio, galinha choca e uns tantos outros que não ganharam nome.
Toda essa brincadeira aconteceu com o apoio da Inova, da cooperativa Crescer e da Eco Cultural. E como brincadeira da uma fominha, tinha barraca de cachorro quente, refrigerante, pipoca e algodão doce, tudo de graça.
E a melhor notícia: provavelmente ano que vem tem mais "Muriquinhos no Parque".

Muriquinhos presentes:
Thomás, João Pedro, Pamela, Cecília, Cássia, Camila, Priscila, Rosana e João.


























quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Muriquinhos no Parque

Estamos quase no final do ano, mas ainda dá tempo de brincar...
Nesse domingo, dia 8 de dezembro, vai ter Muriquinhos no Parque Vila dos Remédios no projeto Inova Brincando, uma parceria com a Cooperativa Crescer, a Eco Cultural e a Inova.
Talvez seja a primeira de várias brincadeiras em parques, praças e outros espaços públicos.
Apareça com a família toda para brincar com a gente.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Brincadeiras de palavras

Olha o alho
Na palavra
Que embaralho

Fique de olho
Na cabeça
Do piolho.

Tire o olho
Do meu macarrão
com molho.


"Muriquinho que é muriquinho" brinca até quando comete um erro. E é assim que o erro, muitas vezes, vira acerto. 
E foi assim, digitando correndo os emails que trocamos que começamos a perceber que algumas palavras ficam bem divertidas quando a ordem de suas letras é trocada. O verbo "olha" virou um cheiroso "alho", que puxou a rima com outro verbo, "embaralho" e virou um versinho.
E como "muriquinho que é muriquinho" não perde uma brincadeira, a Camila logo puxou o fio de outras rimas.
Este travalínguas de muriquinhos inaugura nossa seção de brincadeiras de palavras. E que venham muitas parlendas, versos, rimas, cantigas e outras poesias.

...

(... complementando a postagem...)
E não é que enquanto eu escrevia essa postagem a Camila já estava brincando com palavras lá na caixa de email. O versinho dela também é um convite pra quem quiser trocar palavras embaralhadas com a gente:


"Uma cartinha daqui para lagoinha,
Uma cartinha da sua máquina pra minha
Começamos aqui, agora
A brincadeira com palavra
Se você quiser brincar
É só rimar e inovar."



quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Uma graça de bonecos

Essa postagem ficou guardada nos rascunhos por um tempão, como brinquedos que fica escondido no fundo do baú.
São bonecos feitos no Colégio Gracinha em 2010, por professores e alunos, para serviram de prenda para a festa junina. Um era mais charmoso do que o outro...bem... alguns eram mais engraçados do que charmosos... mas todos devem ter feito muito sucesso na festa.
E você? também gosta de mexer no fundo do baú dos brinquedos?





segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Catapultas


Como nosso ritmo de postagens está com um bom compasso, resolvi colocar mais um passo a passo na coleção do blog.
Escolhi o que saiu na última edição da Revista Na Mochila. É a oitava vez que participamos da sessão Planeta Melhor desta revista que é distribuída no interior de São Paulo. Acho que não publiquei aqui todos os passo a passo que fizemos para a revista, mas prometo ir colocando tudo em dia.
Nas páginas 56 e 57 do nº29 da revista Na Mochila - ano 5
As catapultas, muito divulgadas em filmes medievais como engenho de guerra usado para lançar grandes pedras nas muralhas dos castelos dos inimigos, também foram utilizadas a bordo de navios para auxiliarem pequenos aviões a levantarem vôo. A catapulta deste passo a passo não serve para criar nenhuma guerra, mas é um brinquedo muito divertido.
A ideia veio do blog Eighteen25 que é recheado de boas dicas de artesanato.
Da descoberta para cá, já teve muito muriquinho fazendo sua catapulta e treinando a pontaria.

Passo a Passo:
1- Antes de mais nada é preciso conseguir o material. A Rosana diz que essa é a primeira parte da brincadeira, e no caso desse brinquedo, é uma brincadeira bem gostosa... É preciso chupar 6 sorvetes de palito antes de fazer o brinquedo!
Além dos palitos de sorvete, você vai precisar de:
- três elásticos ou liguinhas de borracha;
- uma tampinha de refrigerante;
- um pedaço de folha de revista;
- fita adesiva;
- tesoura;
- cola quente;
- retalhos de papel colorido.

2- Junte quatro palitos e prenda as pontas com dois elásticos.
3- Posicione os outros dois palitos formando um "T". Prenda com o último elástico, formando um "X" na junção dos palitos.
 4- Com a sobra de elástico, prenda bem a ponta dos dois palitos centrais.
 5- Cole a tampinha na outra ponta do palito.
 6- Amasse um pedaço de folha de revista para fazer a bolinha. Prenda com fita adesiva.
 7- Enrole toda a bolinha e deixe-a bem modelada.
 8- Corte asas com os retalhos de papel colorido. Se você dobrar o papel ao meio, consegue duas asas iguais.
 9- Prenda as asas na bolinha.
Pronto!!! Agora é só brincar. Arranje um pote e coloque-o a uma certa distância. Tente acertá-lo. Desafie um amigo.




sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Purugunta onde vai

"Muriquinho piquininho,
muriquinho piquininho, oi parente,
de quissamba na cacunda.
Purugunta onde vai,
Purugunta onde vai, oi parente.
Pru quilombo do Dumbá.
Ê chora, chora, mgongo, oi deverá.
Chora, mgongo, chora.
Ê chora, chora, mgongo, oi cambada.
Chora, mgongo, chora..."

"O nome do grupo, Muriquinhos, foi baseado na letra de uma cantiga popular que acompanha manifestações culturais como o jongo e a capoeira. É um canto dos escravos que conta a história de um menino pequenino que foge para um quilombo, o Quilombo de Dumbá. Foge com uma trouxinha nas costas e os outros meninos choram por não poderem ir também.
Muriquinho é um jeito de falar molequinho bem pequeno. Uma palavra do linguajar popular, que quer dizer criança e que no final das contas é o que todo mundo vira quando constrói brinquedos.
Ser um muriquinho é ter esse espírito que brinca e que brincando é livre."

Eu já escrevi isso aqui... logo quando começamos o blog... mas é bom lembrar qual é a energia que nos movimenta...
Além disso, lá ficou faltando o som, com os tambores que dão o ritmo para as batidas do coração. Enquanto não temos uma gravação com os músicos do grupo, ficamos com esse vídeo, sugerido pela Rosana, do Naná Vasconcelos e do Projeto Guri:

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Tampinhas de montar


Será que minha loucura por tampinhas vai aumentar?
Vocês já sabem que muriquinho que é muriquinho não consegue passar por uma tampinha no chão e deixá-la lá abandonada. Parece que as tampinhas fazem cara de coitadinhas e pedem para serem resgatadas. 
Depois da operação resgate, que inclui uma caprichada lavagem, a gente costuma chamar as tampinhas de pérolas...
E isso tudo porque ainda estou falando das tampinhas comuns. Imagine como nossa febre por tampinhas vai ficar quando começarem a aparecer no mercado as "Clever Caps"...
E o que é que são essas tais "Clever Caps"? Eu explico, mas é lógico que minha explicação vem com uma historinha à tira colo...
Voltando alguns anos no passado, para quem não sabe, fiz faculdade de farmácia, antes de fazer arte. Se você acha que uma coisa não tem nada a ver com a outra, e tiver paciência de ler tudo até o fim, vai ver como a criatividade pode dar as caras nos mais diferentes lugares.
Mas a história não é sobre mim e sim sobre um dos meus veteranos, o Jabá, ou melhor o Henry Suzuki. Ele era o mais animado de todos os veteranos. Aquele que acolhia com carinho o bando de "bixos" perdidos. 
Os anos passaram, mas ele continuou com seu espírito brincante. Tanto é verdade que, junto com Cláudio Patrick Vollers, inventou as "Clever Caps".
Ops! Falei, falei e ainda não expliquei o que são as "Clever Caps".

Se fosse dar um apelido em português, chamaria de tampinhas de montar. Elas se encaixam umas às outras e também em peças de montar que existem no mercado de brinquedos. Ou seja, elas já são um brinquedo sem ter que passar por nenhum processo. 
Bom, eles, os inventores, dizem que elas não servem só para brincar. Dá para montar infinitos objetos utilitários e decorativos. Mas, como vocês já devem imaginar, eu quero mesmo é brincar com as tais tampinhas. 
Não vejo a hora de começar a encontrá-las nas garrafas por ai. Fico imaginando de que cores elas serão. Parece até que vi algumas transparentes nas imagens de divulgação...
O lançamento está prometido para este ano ainda e acho que elas vão aparecer primeiro em garrafas de água. 
Quem encontrar uma e não quiser, pode doar para o Muriquinhos!!!!

Ah! E se por um acaso do destino você for um empresário do ramo das bebidas e de outros produtos que precisem de tampinhas e estiver do nada olhando este humilde blog desse grupo de pessoas que gosta de brincar... que tal adotar as "Clever Caps" em seus produtos? Os muriquinhos e o ambiente agradecem.

O vídeo das "Clever Caps" também é bem lúdico:



E o site deles é: http://www.cleverpack.com.br