quarta-feira, 29 de abril de 2009

A oca em ação

Abrigo Mercantil, Franklin Cassaro, 2003
Sei que já contei sobre a oca ôca aqui. Mas tenho duas desculpas para falar dela de novo:
- acabei de receber um vídeo, feito pela muriquinha Adriana, com a oca em ação em um dos nossos projetos do ano passado (o Mar de Muriquinhos);
- e eu adoro muito a oca.
Como as duas razões são ótimas, vamos lá.
A oca ôca, que eu chamo assim porque em algum lugar do passado me apresentaram ela com esse nome (deve ter sido o Guilherme Teixeira... que como já disse foi quem me ensinou), é nomeada como "abrigo" pelo artista, Franklin Cassaro. O complemento do nome é dado pelo tipo de material que ele usa para fazer a oca, ops!, o abrigo: por exemplo, se usa o caderno de negócios do jornal, chama seu abrigo de mercantil. Assim, temos o abrigo enciclopédico e o classificado. Mas todos, no geral, são chamados de abrigos bioconcretos, que é uma palavra que o artista inventou para definir sua arte.
Foi o Franklin Cassaro quem inventou essa obra, que transformamos em brinquedo e apelidamos de oca ôca, mas eu aposto que ele teve ideia vendo aqueles balões que alguns chamam de galinha morta. Mas calma, no caso da oca ôca, não há perigo de incendiar nada. Um dia ainda vou conseguir falar com esse artista para confirmar.
Enquanto isso, os muriquinhos vão fazendo ocas por tudo quanto é lugar que passam. Um dia, o
Cassaro vai chegar num lugar, e algumas crianças vão mostrar o brinquedo que conhecem para ele... he he he.
Bom, vamos deixar de falatório, pois o vídeo diz muito mais...
video

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Muriquinho da Bahia

Vasculhando meu baú onde guardo as lembranças dos caminhos por onde o Muriquinhos já passou, achei esse texto de um amigo da Andréa, que é lá de Salvador. Não, o Muriquinhos ainda não foi até Salvador, pelo menos não em carne e osso. Mas já foi de brincadeira...
O caso é que a Andréa contou como era o projeto, e o Breno fez sua leitura e a colocou neste texto.
Nem pedi permissão para publicar o texto aqui (no ano passado ele foi colocado lá na nossa comunidade no orkut), mas acho que ele vai gostar...

Olhar enigmático de criança baiana, Patrizia Giacontti, 2008 - www.patriziagiancotti.com/


"Muriquinho, que no seu significado puro traz consigo apenas uma pequena criança...Criança esta que dentro da cantiga popular, donde fostes tirada tal expressão, já quebra com seu nicho social...A quebra não se faz através de uma política que o pequeno muriquinho tenha, não...Todavia ele já possui sua política humana, não porque ele tenha como referência o sociólogo francês Saint-Simon quando diz que: "o ser humano é um ser de conhecimento", não... mas sim porque ele constrói tal pensamento social enquanto sociedade, enquanto ser de saber... que de uma forma instintiva sabe que uma sociedade não é um aglomerado de pessoas... sabe que tudo é uma grande máquina, e mesmo uma peça muriquinho, peça esta faz parte da engrenagem...Mas muriquinho precisa brincar, brincar de ser, brincar de saber, brincar de aprender e nesta brincadeira se reconhecer.Mas porque teríamos que tornar séria uma brincadeira? Não estaríamos nós descaracterizando muriquinho enquanto criança pequena que tem como função brincar? Não, descaracterizamos quando não deixamos que ela brinque, brinca muriquinho, brinca! Brinca e nos mostra o quão séria é tua brincadeira e o quão infantil é a nossa seriedade... incandesce sua criança e desta forma nos obriga a concordar com Nietzsche, quando ele diz:"A ultima fase do homem é a mais pura, és quando faz-se criança, pois só criança és sincera, só criança és verdade, pois não foi contaminada pela cólera da seriedade humana."Brinca muriquinho, brinca! Ensina-nos como devemos brincar neste jogo da vida que apenas sabemos perder ou ganhar e nos esquecemos de brincar, brinca muriquinho, brinca!Pois seus amigos de Dumbá, não mais chorarão, pois sempre haverá homens sensatos dispostos a aprender a brincar, brinca." (Texto de Breno Pires)
Ah! O Breno tem um blog também: http://wwwmitcha.blogspot.com/

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Bonecos

O passo a passo (dessa semana é) que estava aqui era muito especial: (é) era o pap do nosso representante boneco, o Galileu. Agora quem quiser, precisa nos escrever pedindo um manual em cd.
Na realidade, o pap ensina a fazer o Arquibaldo que é o amigo mais carinhoso do Galileu. Ele já conquistou muitos corações com seu olhar meigo. Sempre que se emociona seu coração balança. Não diga que ele é gordinho, ou fofinho, ou qualquer coisa do tipo... ele pode se ofender. Antes de pensar nisso, admire sua beleza interior (já que ele tem o corpo transparente, isso não vai ser difícil...). Quando você for fazer seu boneco, use embalagens diferentes e crie um com características próprias e, no final, não esqueça de dar uma nome a ele.
Se quiser me mandar foto da sua criação, eu posso colocá-la aqui no blog. (mande para o email pri.okino@uol.com.br)
Este daqui de baixo foi um primo do Arquibaldo que fizemos para uma exposição.
E este aqui é um primo do Galileu.

Se alguém quiser sugerir nome para esses dois é só colocar nos comentários...

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Bolinha de gude

Bolinha de gude, bola de gude, burquinha, berlinde, búlica, bolita, baleba, bilosca, biloca, bila, birosca, bugalho, búraca, búrica, bute, cabiçulinha, clica, firo, guelas, pirosca, ximbra, boleba, bolega, esses são alguns dos nomes que achei para esse brinquedo. Talvez seja o que mais nomes diferentes tem...
E quando você vai pesquisar os jeitos de jogar... um infinito de possibilidades:
http://www.jogos.antigos.nom.br/bolinhadegude.asp
http://www.terrabrasileira.net/folclore/manifesto/jogos/j-gude.html
http://www.fernandodannemann.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=875756
Até na pintura de Brueghel, tem crianças brincando com bolinha de gude...

Um universo inteiro para pesquisar


Geralmente, quando apresentamos o grupo Muriquinhos, dizemos que é um grupo que pesquisa brinquedos e brincadeiras. Hoje em dia, nossa "coleção" é bem grande e tem gente que pergunta onde foi que conseguimos tantas informações. Eu costumo responder: "em toda parte".
Pode ser em livros: desde as velhas enciclopédias até publicações mais recentes de outros grupos pesquisadores. Pode ser na internet e em todo o seu universo virtual. Pode ser perguntando para algum sábio das brincadeiras. Mas o melhor mesmo é pesquisar na fonte real, onde a brincadeira acontece...


"Oi Pri, quando eu vi esta brincadeira lembrei do muriquinhos.
Eu estava com a Lisa no campinho e vi alguns garotos brincando de bolinha de gude, coisas que nossas crianças do Colégio não sabem.
Bem que a Rosana poderia ensinar para as crianças de lá.
As regras, eles vão modificando conforme os interesse deles. Pedi para tirar foto e eles deixaram. Fiquei ali a tarde vendo a brincadeira, e ia perguntando como eles jogavam. Percebi que adoraram ficar lá me ensinando, iam contanto as regras. É claro que eu não consegui aprender todas as regras.
Veja se dá para colocar no blog dos Muriquinhos. Seria legal a gente fotografar algumas brincadeira de rua e colocar no blog, vou pesquisar as regras da bolinha de gude, ai eu te mando."
(email que acabei de receber da Edna. As fotos foram tiradas por ela)



E para quem ficou na dúvida se a Lisa é uma muriquinho também... uma foto dela no campinho de pesquisa.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

"Nós defendemos que a criança deve brincar..."

Esta frase, retirada do documentário "Criança, a alma do negócio" é a fonte de energia do Muriquinhos.
Isso porque entendemos o brincar como uma coisa muito séria, muito além de um simples passatempo, ou seja, da ocupação de tempo da criança.
Inauguro com a indicação deste vídeo (dividido em seis partes) o marcador "brincar pra quê?" do nosso blog.

CRIANÇA, A ALMA DO NEGÓCIO
Um documentário sobre publicidade, consumo e infância.
Produtora: Maria Farinha Produções
Direção: Estela Renner
Produção Executiva: Marcos Nisti
Sinopse:
"Por que meu filho sempre me pede um brinquedo novo? Por que minha filha quer mais uma boneca se ela já tem uma caixa cheia de bonecas? Por que meu filho acha que precisa de mais um tênis? Por que eu comprei maquiagem para minha filha se ela só tem cinco anos? Por que meu filho sofre tanto se ele não tem o último modelo de um celular? Por que eu não consigo dizer não? Ele pede, eu compro e mesmo assim meu filho sempre quer mais. De onde vem este desejo constante de consumo?" Este documentário reflete sobre estas questões e mostra como no Brasil a criança se tornou a alma do negócio para a publicidade. A indústria descobriu que é mais fácil convencer uma criança do que um adulto, então, as crianças são bombardeadas por propagandas que estimulam o consumo e que falam diretamente com elas. O resultado disso é devastador: crianças que, aos cinco anos, já vão à escola totalmente maquiadas e deixaram de brincar de correr por causa de seus saltos altos; que sabem as marcas de todos os celulares mas não sabem o que é uma minhoca; que reconhecem as marcas de todos os salgadinhos mas não sabem os nomes de frutas e legumes. Num jogo desigual e desumano, os anunciantes ficam com o lucro enquanto as crianças arcam com o prejuízo de sua infância encurtada. Contundente, ousado e real, este documentário escancara a perplexidade deste cenário, convidando você a refletir sobre seu papel dentro dele e sobre o futuro da infância.



Outras partes:
Parte 2
Parte 3
Parte 4
Parte 5
Créditos

terça-feira, 21 de abril de 2009

Influências (texto de Camila Bruno)


"O mais importante e bonito do mundo é
isto: que as pessoas não são sempre iguais,
não foram terminadas, mas que elas estão
sempre mudando, afinam e desafinam.
Verdade maior é o que a vida me ensinou”.
(Guimarães Rosa)
Ser MURIQUINHO: hereditariedade ou causa ambiental?
Diante do depoimento da Pri, a respeito do seu pai, que foi um multiplicador do Brincar, me sinto à vontade para contar para vocês a história de um representante do grupo dos Muriquinhos mais experientes, aqueles que nos aproximam da sabedoria, da autenticidade, da riqueza ao construir um brinquedo.
Meu avô, Sr. Carlos, com 85 anos, que há 60 anos constrói bolas. No começo de sua história ele costurava bolas em uma fábrica com couro legítimo, era um funcionário do brincar. Quando se aposentou, a brincadeira permaneceu na sua vida, mas com um propósito maior: ver o sorriso e escutar as palavras de encantamento, ao entregar a bola para alguma pessoa.Hoje a bola é construída com sobras de material sintético, pois não se utiliza mais o couro, e isso o aproxima da filosofia do grupo, construir brinquedos com materiais reutilizados. Ele corta os gomos, pinta-os, estuda o melhor posicionamento e depois costura um por um, com a câmara dentro. Por fim, enche a bola com um compressor. Todo este ritual, dura aproximadamente dois dias inteiros. Ele acorda e dorme, construindo bolas... Todos nossos amigos conhecem as bolas do Sr. Carlos, que ele presenteia com tanto carinho. E quando ele faz para determinada criança, quer saber se ela gostou, se brincou, se ficou feliz... É isto que alimenta a sua alma, e muitas vezes falamos para ele descansar, e ele responde que construir bolas é o que ele mais gosta de fazer, por isso não cansa!
Agora, fica para cada um de vocês... a lembrança dos Muriquinhos que nos tornaram amantes do brincar por suas influências, por suas histórias, por suas causas ora hereditárias, ora ambientais!
“Nos olhos dos jovens arde a chama, nos olhos dos velhos brilha a luz." (Albert Camus)
Texto: Camila Bruno



sábado, 18 de abril de 2009

Puxa-puxa



Nesta manhã de sábado de céu azul e brisa geladinha, vou postar um brinquedo invenção do grupo que serve para aquecer os músculos do braço.
Faz bastante tempo, eu vi em uma loja um brinquedo de madeira que ficava pendurado em um prego com duas cordinhas. Ao mexer nas cordinhas, a peça de madeira pintada escalava até chegar lá no topo. Bom, eu queria fazer algo parecido, mas de papelão reaproveitado de caixas. Não deu certo... ou melhor, deu certo mas para outro lado. No brinquedo que construi, ao invés da peça se afastar de quem puxa o cordão, ela se aproxima.
No final ficou interessante porque tem aquele encantamento que a Rosana tanto fala: é tão simples que você duvida que vai funcionar... mas funciona.
Qualquer dia vou pedir para um professor de física analisar o mecanismo "complexo" desse brinquedo...
Por hoje, ficam as fotos dos primeiros que fiz, com aparas de papel paraná pintado e com desenhos de insetos que se movem (será que existe algum inseto que não se move?). Mas pode ser feito também com o velho e comum papelão de caixa.
Lá em cima, o passo a passo, desse brinquedo que ficou um tempo sem nome, mas depois encontrou um perfeito nas suas idas e vindas...
Ah! Já ia esquecendo de duas coisas bem legais sobre o puxa-puxa:
- Um dia, em uma oficina no Hospital e Maternidade-Escola Vila Nova Cachoeirinha, a Paula sugeriu que escrevessemos mensagens, transformando o puxa-puxa num mensageiro;
- Este ano, a Ro vai fazer os convites do aniversário dos muriquinhos mirins, João Pedro e Thomás, no puxa-puxa...


quinta-feira, 16 de abril de 2009

Jogo da velha


"Jogo da velha", no Brasil; "Jogo do Galo", em Portugal; "luk isut k-i" na China Antiga e "Tic-tae-toe" em alguns países de língua inglesa, este é um jogo largamente conhecido e muito fácil, de fazer e de jogar. Pode ser riscado em qualquer pedaço de papel ou mesmo num chão de terra batida.
Dizem que os primeiros tabuleiros de jogo da velha foram encontrados no Egito, há 3500 anos atrás.
As regras se assemelham às dos jogos da família do "moinho" ou "trilha": é necessário alinhar três peças para ganhar ou avançar no jogo e as jogadas são alternadas entre dois jogadores.
Os do nosso grupo foram feitos de plástico doado por empresas de banner e papelão de embalagens. O colorido ficou por conta do vinil adesivo (também de doação das mesmas empresas) e de fita isolante colorida.
O tamanho big do tabuleiro atrai as crianças para a brincadeira.
Fontes de informação:
http://www.jogos.antigos.nom.br/jvelha.asp
http://mundoestranho.abril.com.br/historia/pergunta_285810.shtml

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Agripino

O Agripino é um camarada simpático, um tanto quanto desligado, que olha para todos os lados ao mesmo tempo, mas não sabe direito no que prestar atenção.
Gosta de ficar sentado com as pernas cruzadas (elegantemente...), porém pela vontade das crianças viveria no colo delas.
Facilmente fica gripado (deve ser por isso que se chama Agripino...) razão do seu nariz ser assim tão vermelho.
Apesar de seus cabelos já estarem brancos, ou melhor, transparentes, não é velho não... é só uma questão de estilo... estilo desarrumado.
O Agripino é um grande amigo do Galileu (aquele que fica ali em cima, no blog). Dá ótimo conselhos sobre como ser bem humorado o tempo todo.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Boitatá


Quem será esse com olhar penetrante, ao mesmo tempo encantador e assustador?
É o Boitatá, um brinquedo gigante feito com base numa lenda indígena brasileira. Esse charmosão foi feito para a apresentação das alunas da Camila, em 2008. Mas aqui na foto só aparece o close... o corpo dele é tão colorido e atrativo quanto a cabeça. É nele que as crianças se escondem, transformando-se em parte do Boitatá e fazendo seu corpo dançar.
E assim os medos e assombros vão sendo deglutidos e digeridos na nossa infância...

"Há também outros (fantasmas), máxime nas praias, que vivem a maior parte do tempo junto do mar e dos rios, e são chamados baetatá, que quer dizer cousa de fogo, o que é o mesmo como se se dissesse o que é todo de fogo. Não se vê outra cousa senão um facho cintilante correndo para ali; acomete rapidamente os índios e mata-os, como os curupiras; o que seja isto, ainda não se sabe com certeza." (in: Cartas, Informações, Framentos Históricos, etc. do Padre José de Anchieta, Rio de Janeiro, 1933)

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Brueghel

Essa dica de artista que pintou o universo das brincadeiras é da Rosana.
Pieter Brueghel pertenceu a uma família de pintores flamengos. Ficou conhecido como "o velho", para que não o confundissem com seus filhos que também seguiram sua arte.
Buscava inspiração em cenas do cotidiano e por essa razão, retratava aspectos da cultura popular local. Muitas de suas pinturas estão repletas de personagens, cada qual na sua ação. Na pintura "Brincadeira de Crianças" de 1560, por exemplo, podemos observar uma espécie de coleção de brincadeiras da época.


Mais interessante ainda, é perceber que várias das brincadeiras representadas, têm uma equivalente aqui no Brasil dos dias de hoje... Você consegue encontrar alguma neste detalhe?

Um site interessante para conhecer mais sobre Brueghel é este, feito por alunos da Anhembi Morumbi:
Não deixe de visitar a galeira virtual. Lá eles nominaram esta pintura de "Brincadeira de Rapazes". O desafio é encontrá-la!

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Vai e vem

O vai e vem é um brinquedo muito simples e também é fácil encontrar tutoriais explicando como fazer um com materiais reciclados, geralmente com garrafas pet.
Antigamente, era um brinquedo industrializado. Encontrei fontes que afirmam que foi inventado na Itália, em 1976, mas não tenho certeza disso.
Acho que até hoje em dia é possível comprar um vai e vem que não seja artesanal, mas, pessoalmente, acho os reciclados muito mais charmosos.
E falando em charme, o vai e vem que produzimos no grupo Muriquinhos é esse:

Ele segue a nossa premissa de aproveitar ao máximo a cor e o formato das embalagens. E para esse objetivo precisamos ter o olho bem atento.
Para fazer esse vai e vem abelhinha é preciso de duas garrafas de Fanta (qualquer sabor) ou de refrigerante Convenção. O "funil" ou "gargalo" dessas garrafas é arredondado, o que dá ao corpo do vai e vem uma cinturinha. As listas amarelas e pretas complementam o visual de abelha.
O interessante é que ao brincar com o vai e vem realmente produz-se um som parecido com o zum zum da abelha.
Se você quiser o passo a passo nos escreva.

E assim eu fui... mas depois eu volto!


quarta-feira, 8 de abril de 2009

Pai peteleco

Hoje, quero falar do peteleco... na verdade, acho que quero falar do meu pai... e como foi ele quem me ensinou esse brinquedo, posso misturar as duas coisas. Quando penso quem foi que me ensinou a ser muriquinho, mesmo sem saber que essa palavra existia, acabo chegando na figura do meu pai. Explico. Só fui ter consciência de que era muriquinho, nos tempos atuais, já adulta, quando meu pai já estava bastante doente. O grupo só ganhou força quando ele não estava mais aqui. Mesmo assim, acho que foi ele quem me ensinou a ser muriquinho, pelo menos, foi ele quem deu o "peteleco inicial". Foi com ele que aprendi uma série de brinquedos, quando ainda era criança. Os carrinhos de carretéis, as arminhas de madeira esculpida, os helicópteros de papel ou os especiais feitos com uma casca de bambu, os canudinhos para bolhas de sabão com talos de pé de chuchu (esse acho que foi minha mãe...), as caixinhas de fósforo barulhentas (e os milhares de truques com os palitos de fósforo), os pipas (os comuns, as arraias, os estrelas e o enorme 14 bis), os jogos de baralho, dominó e outros. Tudo isso faz parte da convivência que eu e meus irmãos tivemos com meu pai. Houve até uma época em que achávamos que ele era ausente, mas hoje, tenho que reconhecer que são poucos os pais que são tão presentes na vida das crianças. Acho que essa impressão de ausência, desenvolvida na fase adolescente, dizia mais respeito à parte regrada da vida, aquela das "responsabilidades", que antes parecia tão fácil de separar e agora... Bom, mas o fato é que meu pai contribuiu muito para esse meu olhar brincante, porque o que ele melhor sabia fazer era brincar com a vida, no melhor e no pior sentido.
E de tudo, permaneceu o encanto...
de dar um peteleco em um pedaço de papelão recortado e pintado e vê-lo voar misturando as cores.

sábado, 4 de abril de 2009

Constelações

Hoje, um pouco antes de virar amanhã, recebi um email da Camila sugerindo um texto, um relato de uma experiência. Fiquei muito feliz, pois se eu puder contar com sugestões dos outros muriquinhos com certeza o blog vai ficar muito mais interessante. Para agradecer a sugestão, procurei uma foto que pudesse ser colocada em harmonia com o texto. Achei esta que "emprestei" de um link que recomendo, pelas imagens e pelo texto.
Agora vou ficar esperando outras contribuições dos que já são muriquinhos e dos que estão descobrindo que podem ser também.
Segue o texto da Camila:
Foto extraída do site http://archives.starbulletin.com/2001/05/27/features/story1.html (no mesmo link uma ótima reportagem de "muriquinhos" estrangeiros)
“As crianças não brincam de brincar. Brincam de verdade…
Triste de quem não conserva nenhum vestígio da infância…”
Mário Quintana

Havia milhões de estrelas no céu. Estrelas de todas as cores: brancas, prateadas, verdes, douradas, vermelhas e azuis. Um dia, elas procuraram Deus e lhe disseram:
- Senhor Deus, gostaríamos de viver na Terra entre os homens.
- Assim será feito, respondeu o Senhor. Conservarei todas vocês pequeninas como são vistas e podem descer para a Terra.
Conta-se que, naquela noite, houve uma linda chuva de estrelas. Algumas se aninharam nas torres das igrejas, outras foram brincar de correr com os vaga-lumes nos campos; outras se misturaram aos brinquedos das crianças e a Terra ficou maravilhosamente iluminada.
Estas estrelas estão em cada criança, com o brilho e a espontaneidade.
Desde o início do nosso grupo MURIQUINHOS tivemos a certeza do quanto somos multiplicadores do conhecimento que aprendemos a cada encontro com os pequenos, os médios e os grandes...
Vou dividir com vocês uma destas certezas.
Em 2007, alguns alunos de uma escola em São Paulo aprenderam tramas com barbante e um certo dia uma criança me chamou e falou:
“- Olha só o que eu faço com elástico!”
E me mostrou carrinho do Batman, foguete, balão, estrela, laço... dentre outros. Esta criança teve a capacidade de transferência do conhecimento adquirido para outro material, o elástico, e multiplicou com os amigos, virando uma verdadeira “febre”. As tramas com elástico viraram exercício diário das mãozinhas das crianças. Além de favorecer a linguagem e a expressão mais verdadeira da criança, o Brincar, a atividade possibilitou o respeito ao momento e a situação trazida pelo grupo, o trabalho com a coordenação motora e o resgate da cultura popular de brinquedos manuais.
As crianças possuem uma natureza singular, que as caracteriza como seres que agem, sentem e pensam de um jeito muito próprio, construindo o conhecimento a partir das interações que estabelecem com as outras pessoas e com o meio em que vivem. O conhecimento não se constitui em cópias da realidade, mas sim, fruto de um intenso trabalho de criação, significação e transcendência.
Esta magia que nos encanta a cada dia...

CAMILA BRUNO

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Brincadeira pintada

Moleques pulando cela, 1958

Muitos são os artistas que usam a brincadeira como tema de seus trabalhos. O que vou citar hoje é Portinari. Como ele é brasileiro, podemos ter ideia do que se brincava no Brasil na sua época. Além disso, ele explorou o tema de brincadeiras em muitas de suas telas e de jeitos e estilos bem diferentes. São pinturas de crianças pulando carniça, ou cela, brincando de gangorra, soltando pipa ou papagaio, brincando de balanço e jogando futebol entre outras mil possibilidades de brincadeiras.

Ah! e tem também o site do Projeto Portinari, onde é possível conseguir muitas informações sobre sua vida e sua obra.


E se você quiser brincar com o personagem Candinho, baseado na infância do artista, acesse o link:

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Prazer em conhecer


A ideia de "trabalhar brincando" foi aparecendo em conversas entre a Rosana e eu. As conversas foram se animando cada vez mais como é típico de toda conversa com a Rô. A Rô convidou a Camila para entrar na história. E juntas começamos a escrever as primeiras linhas desse nosso projeto de vida.
Mas como a gente conversa muito, principalmente sobre esse assunto, outras pessoas se aproximaram e entraram no papo também. Veio a Edna, o Erick, a Andréa, a Monique, o Oscar, a Malu e a Fabrícia, que podemos dizer, fazem parte da primeira geração de muriquinhos.
No ano passado, o grupo tomou fermento e vários outros muriquinhos apareceram: a Rita (ou Cássia), o Claúdio, a Adriana, a Silvana, a Maria, o Renan, o Matheus, a Carita, o João e a Paula. Sem contar os muriquinhos mirins: Laís, João Pedro, Thomás, Enzo, Lucas, a Giulia, o Rafael, o Hebert, o Humbert, o Otávio e a Juliana.
Ah! e tem também as mães muriquinhos: a minha, a da Rô, a da Andréa; e as tias: da Camila.
Será que esqueci alguém?
Bom, aos poucos eu vou apresentando melhor cada uma dessas pessoas.
Ops! Esqueci de falar do Galileu, que é esse que fica ai no canto direito superior do monitor. Falo dele quando apresentar nossos amigos brinquedos.